por Andrea Pavlovitsch

Que seja amor

Às vezes nos perguntamos: O que Deus quer de mim? Quais são os planos dele para o meu futuro? Será que existe um futuro fechado, algo que devemos cumprir não importando as escolhas que façamos? Por que algumas coisas acontecem com algumas pessoas? Por que algumas mortes são tão violentas e outras tão serenas? Com a cabeça cheia de dúvidas, fui perguntar tudo isso a um amigo espiritual.

Citei a carta que o vidente Juscelino escreveu em 2005, falando da morte do então governador do Pernambuco, Eduardo Campos. Na carta, registrada em cartório, ele dizia o local, o dia e até que ele seria candidato à presidência. Acertou tudo, nove anos antes do ocorrido. Como pode?

Meu amigo me respondeu: “Sim, estamos todos encarnados e desencarnados na mesma festa. Mas nós encarnados, usamos uma roupa de astronauta (tudo uma metáfora, claro) que nos permite assistir a um filme comum a todos os outros “astronautas” da festa. O filme é controlado por duas coisas: O livre arbítrio (que não é tão livre assim) e o plano espiritual. Quando o vidente acerta a previsão dele, ele acertou uma das possibilidades existentes no filme, de acordo com as escolhas que a pessoa fez durante a vida, e que todos os envolvidos também fizeram. É como se todos “concordassem” com aquilo em um nível espiritual. Existem lições a serem aprendidas e no nosso espaço/tempo elas estão cada vez mais rápidas. Então quando você não consegue (ou não quer, porque não existe não conseguir) ir para frente, você fica empacado. Se atrasa com relação ao restante das pessoas que estão no seu grupo, aí sim, você pode ser desligado precocemente”. 

Estou resumindo a história, porque é muito complexa, mas sim, estava escrito. Claro que a culpa não é dele e nem de ninguém lá dentro do avião. Ou em qualquer outra situação.

Meu avô morreu em 2009. Ele tinha uma leucemia diagnosticada 14 anos antes. Ninguém contou a ele que isso era câncer porque na época dele, isso era uma sentença de morte. Ele fez quimioterapia e não caiu um fio de cabelo. Fez radioterapia. Claro que estava sempre fazendo o tratamento, mas viveu 14 anos, ao lado de uma nova esposa (que não a minha avó, que tinha falecido anos antes) e bem feliz. Um dia ele disse para o meu pai no hospital: “Não sei mais o que estou aqui a fazer”, com o olhar baixo de quem não entendia mais esse mundo. Faleceu por problemas do coração, seis meses depois enquanto viajava.

A grande sacada é não parar na “pista”. Não deixar o ego tomar conta e fazer escolhas sempre de acordo com a nossa alma. Sei que não conseguiremos isso o tempo todo, porque somos humanos e é fácil deixar as “tartarugas” escaparem. Mas se a sua atitude for pró-ativa, em relação a ser feliz e ter a melhor vida que você puder se proporcionar, sem deixar o ego ditar o que é ter a melhor vida (não, nem sempre ela tem a ver com ser tão rico a ponto de passar todas as férias de verão na Europa ou qualquer coisa assim), as coisas tendem a ser mais calmas no seu caminho. Sem tantas surpresas ruins. Mas como é impossível evitá-las, o melhor que temos a fazer é: Ter uma boa vida, seguir a sua alma e estar preparado para aquilo que não conseguiremos mudar, entendendo que existe um todo (uma festa) que não vai parar.

Lições difíceis da vida, ainda mais para uma quinta-feira de sol e tempo seco. Que todos os nossos desejos sejam profundos desejos de amor. E só.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.