por Paulo Antolini

Desorientação!

- Vidalinda, você não sabe o que acabei de presenciar. Lembra aquele senhor que marcou uma reunião para hoje às 10 horas? Precisa ver a decepção dele quando ao chegar lá foi informado que a pessoa por motivos particulares só viria à tarde. Ele ficou chateado porque poderia ter sido avisado, não perderia tempo nem viagem.

- O que você acha que leva uma pessoa a agir assim, Humanildo? Isso é uma irresponsabilidade, não é? Quem assume um compromisso não deve agir assim. Da margem a muitas interpretações, inclusive a de que não é uma empresa séria. E temos visto isso com uma frequência muito grande.

- Você tem razão querida, o desencontro está sendo a tônica dos dias atuais. Parece até que o respeito ao estabelecido virou exceção e quando ocorre, surpreende a todos. Um dos principais fatores, Vidalinda, é o quanto as pessoas estão perdidas em si mesmas. Não são más pessoas, apenas estão desorientadas.
            
- Concordo com você. A desorientação que o mundo está vivendo tem como função básica exatamente gerar a perda de foco e consequentes ações indefinidas, cujas direções se contrapõem, energias são desperdiçadas e há sempre os que se aproveitam das situações onde, por não se ter firmemente o que se quer, permite que a manipulação passe a imperar.
            
- Muitos acham que raciocínio como esse é pura teoria da conspiração. Vidalinda, há algo interessante que deve ser olhado: Teorias da conspiração se diluem quando as pessoas ganham foco, assumem as rédeas das situações e dessa forma impedem as articulações manipulatórias. Elas deixam de existir, porém eram atuantes enquanto livres para agir. Podemos comparar com algo volátil, que se modifica conforme as variáveis.

- E sabe o que é muito ruim nisso tudo, Humanildo? As pessoas acreditarem que a vida é que é injusta! Pense comigo: Se você acredita que a falta de resultados positivos em sua existência ocorre por fatores que não dependem de você, fica à mercê das situações e não identificará nada que possa fazer para alterar esse quadro. Continuará a ter maus resultados e todos serão culpados, menos a própria pessoa. Realço que não é uma questão de culpa, mas sim de responsabilidade.

- Tem razão. Nós humanos precisamos parar de achar que a vida está errada e olharmos o que é que estamos fazendo com nossas vidas. Há algumas poucas perguntas que poderíamos nos fazer e ao respondê-las com honestidade e transparência teríamos então um novo “norte” para nossas vidas.
- O que você sugere, Humanildo, pois me é muito pesado ser criticada quase todo o tempo. “Essa vida é uma droga”; “Que raio de vida é a minha” e muitas falas mais me afligem escutar.

- Perguntar-me: O que estou pensando? O que estou sentindo? O que estou fazendo? Sugiro Vidalinda que ao responder a pessoa anote cada resposta em uma folha de papel. Então reflita e identifique se essa trilogia está alinhada. Pensar, sentir e agir são condições que ao estarem alinhadas e harmonizadas propiciam a paz, então a alegria se instala em nossos corações e ter alegria no coração é prioritário para que se possa ser feliz.

- Também me é incômodo Vidalinda, ser constantemente criticado e vilipendiado até: “O ser humano está perdido”; “É preciso acabar com todo ser humano e começar de novo”; “O ser humano não presta”, são frases ditas sem nenhuma reflexão, mas que passam a atuar na mente das pessoas. Faz corroer a vontade. Perde-se então a firmeza de propósitos e eis que a motivação para as conquistas se esvai. 

- Humanildo, acrescento ao que disse que é preciso também parar de acreditar que as dificuldades e obstáculos existentes são castigos de Deus. Elas estão aí para que se possa ultrapassá-las e com isso crescer. Alguns têm mais facilidades que outros, mas o que deve ser olhado é a situação de si mesmo e não a do outro. Olhe para si mesmo. Ponha os pés no chão e identifique o quanto está desorientado. Determine uma direção que realmente queira e perceberá que tudo começará, mesmo que lentamente, a mudar!

Paulo Antolini

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Terapêuta, Psicólogo há 39 anos, Practitioner em Neurolinguistica, Coach e Consultor de Empresas, contribuindo na formação r aprimoramento de lideres em todos os níveis, através de treinamentos, seminários e workshops, articulista e escritor, publicou o livro “FEEDBACK – O Ir e Vir da Comunicação.