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por Andrea Pavlovitsch

Organize sua vida

Se tem uma coisa na qual eu sou muito boa é na organização das coisas. Não sei, sou assim desde pequenina. Adoro acordar pela manhã e ver tudo ajeitado. Calma, não sou paranóica e nem deixo de dormir porque deixei um copo na pia (isso já é exagero). Mas organizo meus armários, meu escritório, minhas fotos e tudo mais. E quando eu começo a organizar demais ou querer limpar tudo, batata, estou precisando de uma mudança.

Foi exatamente o que aconteceu. Há mais ou menos um mês eu coloquei o meu quarto e o meu consultório abaixo. Tirei tudo, até daqueles cantinhos que dão uma preguicinha de fazer no dia a dia. O nariz não parava de escorrer com o pó, mas segui em frente com uma boa caixa de lenços de papel. O resultado, no quarto, foram quatro sacos de 100 litros de lixo ou doações e no consultório, dois sacos.

Isso me ajudou a organizar as minhas idéias. Parece que as coisas desorganizadas ao redor sempre vêm de encontro com o nosso conteúdo interior desorganizado. Ou, pior, velho e sujo. Eu sempre adorei ver programas de transformação de casa, carro e estilo. Sempre percebemos, nestes programas, que as pessoas depois de passarem pela transformação e pela normal resistência a ela, sentem-se muito melhores e relatam que estavam mesmo precisando disso.

No meu caso, estava mesmo precisando. Por que se desapegar das coisas ruins até é fácil. Mas quando precisamos nos desapegar de anos bons e importantes de nossas vidas, a coisa fica mais complicada. Na minha leva foram fotos, livros, discos e 13 anos de diários que estavam empoeirando na prateleira. Não me arrependi porque, definitivamente, nunca mais peguei aquilo para ler. E quando li uma ou duas linhas, vi que aquela menina não tinha mais nada a ver com a mulher.

Joguei o passado fora, ou melhor, coloquei o passado no lugar onde ele está, para o qual pertence. As coisas passam, as pessoas e as situações mudam e isso é a normalidade da vida. Nós é que nos prendemos a algum instante mais significativo e não nos tocamos que aquilo já era.

Eu vejo muitas mulheres, senhoras até, com barrigas que parecem de grávidas. Mulheres relativamente magras,mas que possuem só uma barriga, como se ainda esperassem um bebê. Seus bebês, hoje com 40 anos, nunca nasceram no sentido psicológico. Foram pessoas, possivelmente, que viveram felizes e curtiram muito esta época, e não conseguem se desvencilhar. Nem dos filhos e nem da barriga.

Isso é comum. Pessoas que ainda se vestem como aos 15 anos de idade. Pessoas com roupas dos anos 80, polaina e blusa flúor como se fosse lançado na semana passada. Pessoas que não conseguem ainda usar o micro para digitar. Que ainda gostam de suas velhas máquinas de escrever. Por mais romântico e nostálgico que pareça, será que isso não é um apego? Será que não estamos mesmo achando que aquilo já faz parte de nós, como se não tivéssemos mais o direto as mudanças?

Não sei, cada caso é um caso. Mas eu estou mergulhada nas mudanças necessárias e isso está me fazendo muito bem. Abaixo coloco algumas dicas de uma boa organização e limpeza. Dos ambientes e, conseqüentemente, da alma. Que tal aproveitar o final do ano para isso, hein?

1. Comece pelos cômodos mais fáceis e vá fazendo tudo aos poucos. Precisa de tempo para isso.

2. Separe três caixas ou saco com os dizeres: doação, lixo e conserto. Vá colocando tudo já separado lá dentro.

3. Caixas de papelão ou plástico fazem milagres com fotos, livros, coisinhas, roupas, sapatos. Se não tem muito espaço ou não pode comprar um armário novo, opte por isso.

4. Não tenha pena das coisas, mas também não jogue fora coisas que sempre se precisa, como um rolo de fita adesiva ou um tubo de cola ainda em bom estado.

5. Roupas, sapatos ou coisas que não são usadas há mais de um ano possivelmente não serão mais usadas. Mande embora. O Universo precisa de espaço no seu armário para te mandar roupas novinhas.

6. Instituições são bons locais para mandar as coisas que não serão mais necessárias. Em caso de uma quantidade maior, você pode solicitar o carreto da própria instituição que dá um jeito de ir buscar.

7. Não pense que um dia vou voltar. Se comprou um curso de espanhol há seis anos e ainda não começou, possivelmente não goste tanto de espanhol assim. Lembre-se que, quando nós queremos e estamos fazendo por amor, dá-se um jeito e um tempo.

8. Se precisar, peça ajuda daquela sua amiga mais desapegada. Às vezes é complicado conseguimos fazer isso sozinho.

9. Lembre-se: você é você e não as suas coisas. Coisas vão e vem. Só você ficará com você para sempre.

10. Compre livros ou revistas especializadas em organização e dê uma boa volta em lojas de bricolagem.

 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.