por Regine Luise

Preguiça das pessoas

De repente, assim do nada, você percebe que não é o único incomodado com determinada situação. Há tempos que as pessoas estão me cansando, no sentido de estarem repetitivas. Tudo que venho pensando e vivenciando em quase um ano, um cara (incrivelmente) resumiu em um vídeo de cinco minutos: preguiça das pessoas.

Preguiça das pessoas isso resume tudo. Preguiça de conversas iguais. Sem sentido, sem formato, sem cor. Preguiça de conhecer e depois desconhecer pessoas. Pessoalmente ou através de redes sociais, o ciclo se repete de uma forma tediosa e desanimadora. Parece uma nuvem que paira sobre todos e inibe de passar daquele questionário inicial e básico de quando você conversa com alguém pela primeira vez.

“Olá! Tudo bem, estuda, trabalha, quantos anos, onde mora, estilo de música, o que gosta de fazer nas horas vagas, time, cor e signo?”. O que vem depois disso? Não vem, nem vai. Eis o problema. Uma espécie de teia invisível proíbe que os casais passem e avancem essa casa da superficialidade.

Quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Conversar com várias pessoas e não conseguir discorrer, prolongar, estender algum assunto (por mais simples que seja) com alguém é o mesmo que nada. No começo estranhei e pensei que era só comigo. Apesar de sempre me expressar bem, não conseguia manter um bom diálogo com ninguém. Depois, ouvi de amigos e até desconhecidos que o problema parece ser geral. As pessoas não conversam, trocam meia dúzia de monossílabos. O que é muito diferente de estabelecer um diálogo. O vídeo do Frederico Elboni com mais de 8 mil views e diversos comentários faz parecer que não sou a única nesse barco. Todos nós estamos cansados. Uns dos outros. Cansados de conhecer as pessoas.

Preguiça, comodismo, repetição e me arrisco em dizer que medo de se magoar. Por que será que muitos preferem ficar no raso ao invés de mergulhar? Porque não dá para morrer afogado na beira da praia. Ir além daquele questionário inicial, perguntas e falar sobre coisas diferentes, querer conhecer o outro e permitir ser conhecido é dar margem ao perigo. É estar vulnerável, é despir de armadura.

 

Nem todo mundo consegue se ver, se reconhecer no olhar do outro. Alguns acham fácil ficar nu na hora do sexo. Mas quem é capaz de ficar nu de alma? De coração? De espírito?

Falta mais do que diálogo, falta mais do que atração física, falta muito mais do que afinidade.
Falta vontade, falta coragem, falta bater no peito e chamar para si a responsabilidade. De ser feliz aqui e agora. De conhecer o outro sem medo de quebrar a cara. Falta não criar tantas expectativas e viver mais o hoje. Não estamos falando aqui de começar a namorar da noite para o dia ou algo do gênero. Mas falo de conhecer alguém além do superficial.

Que seja por uma noite ou por toda a vida, mas seja intensa em tudo que você fizer. Na pior das hipóteses pode não dar certo, mas ao menos, você terá tentado e vivido uma história.

Vai ser muito melhor quando você conseguir conhecer pessoas novas e sentir interesse por elas. Por ouvir, conhecer, se envolver. Trocar conhecimento, história, carícias. É se arriscar ter algo com alguém ou voltar ao ciclo tedioso do “oi, tudo bem?”.

A escolha sempre será sua, a sorte já foi lançada. É seguir com o jogo ou voltar ao começo. 

Boa sorte, meu amigo.

Obs: Se identificou com tudo que leu até agora? Vou adorar ouvir sua história.
Manda e-mail, vamos bater papo: [email protected]

 

Regine Luise

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Jornalista, poeta e romântica nas horas vagas. Regine Luise ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem.