por Andrea Pavlovitsch

Supere os medos da sua cabeça

Estava ontem na fila do supermercado quando ouvi um homem desligar o telefone. Ele virou para a esposa e disse: “Estou começando a ficar preocupado”, e a esposa disse que não era necessário. Não sei sobre o que eles estavam falando, mas achei interessante o tema. Preocupação.

Preocupação é ocupar-se previamente de alguma coisa. Alguma coisa que ainda não aconteceu e que, possivelmente não vai acontecer. E não, isso não vai deixar de acontecer porque você se preocupou, simplesmente não está no seu controle. Então nós inventamos uma maneira de manter aquilo na nossa mente e não pensar no que realmente importa. Deixamos de aproveitar o sol, o café e até a fila do supermercado por isso. E preocupação é maldade, é medo.

Medo é uma reação natural do nosso organismo. Quando estamos em um perigo potencial, é bom sentir medo e fazer alguma coisa sobre. É a lei da sobrevivência. Se entrar um leão aí no lugar onde você está lendo este texto, você vai sair correndo (ou lutar com ele se for do MMA ou muito corajoso). Legal, nosso medo nos protege.

Mas aí pegamos isso e elevamos à enésima potência. E quando você se deita na sua cama macia para uma merecida noite de descanso, sua mente começa a mandar todo o tipo de preocupação (lembra, que não está no seu controle?) do mundo. Será que a empregada vem mesmo amanhã? Será que eu desliguei o gás da casa da praia antes de sair? Será que o ebola vai virar uma epidemia mundial? Será que eu ando gastando demais e não vou conseguir pagar o cartão de crédito?

E ficamos lá, presos na cabeça, com a mente mandando e desmandando. Não sentimos mais o gosto da comida. Não dormimos bem, não aproveitamos o tempo com os nossos filhos. Descontamos em todo mundo. No motorista do carro da frente, na faxineira, no caixa do supermercado. Não estamos em nós mesmos, no nosso pequeno centro. Estamos fora da gente.

E como eu faço para calar essas vozes? Primeiro, as preocupações nunca, jamais são reais. Ou seja, eu ficar pensando, no meio da madrugada, se o ebola vai ou não virar uma epidemia mundial não vai fazer com que todos os vírus se apaguem do universo habitado. Eu não vou sair no meio da noite para estocar comida e água para quando isso acontecer porque a chance disso acontecer é praticamente zero (não teria tanta gente trabalhando nisso se não fosse realmente necessário e os noticiários precisam de notícias que chamem a nossa atenção, lembra?). Eu pensar na fatura do cartão não vai fazer com que ela se pague sozinha. Se está pensando nisso, sente-se na frente das suas finanças e revise tudo, mas sem se preocupar com isso. Ocupe-se disso no momento certo, e só.

"Preocupação é ocupar-se previamente de alguma coisa. Alguma coisa que ainda não aconteceu e que possivelmente não vai acontecer.

A maioria dos nossos maus pensamentos são crenças. Ou seja, são coisas que ouvimos de outras pessoas na nossa infância, adolescência e até mesmo na vida adulta. Se sua mãe sempre te chamou de gorda, possivelmente você vai encanar com um pequeno quindim que você comeu depois da academia. Não é um pensamento seu, devolva ele para sua mãe. Assistir telejornais também não te ajuda muito. A maior parte das notícias são desgraças (porque desgraça vende). Se você quer uma notícia específica, sobre o mercado financeiro, por exemplo, é melhor recorrer aos sites confiáveis na internet. Nem a previsão do tempo dá para acreditar mais.

Enfim, o principal é não se deixar levar pelos pensamentos automáticos e repetitivos. As preocupações levam à ansiedade e depressão e isso não é legal. Se quer se preocupar com alguma coisa, preocupe-se em ser feliz. Fechado?

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.