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por Camila Caproni

E era o sete, número da perfeição até então

Eram 9h20min quando abri a janela do quarto e vi que o tempo estava frio, chuvoso e nublado. A partir dali, comecei a entender que a Seleção Brasileira não ganharia aquele jogo tão aguardado. Fora o único dia em jogos do Brasil que o Sol não apareceu.

Durante toda aquela semana que antecedia a partida, ouvi diversas opiniões. Dos mais otimistas até os piores pessimistas. Mas o que nenhum brasileiro poderia prever era o placar que nos aguardava. Sete a um para a seleção alemã. 

No decorrer do jogo (e dos gols) prestei atenção em cada detalhe e percebi que as lágrimas de quem ali assistia, era uma mistura de perplexidade com tristeza. Até os mais leigos sabiam que aqueles 90 minutos, seriam uma mancha eterna dentro do futebol brasileiro. Ninguém mais pensava no sexto título, estavam ocupados (e perplexos) demais vendo o número sete estampado no telão. O Brasil se calou.

Passado o choque, começaram as críticas. Até os poucos que não se interessavam pelo mundial, arriscaram alguma solução. As redes sociais ficaram abarrotadas de piadas e técnicos recém formados. Mas houve um tipo de pessoa que mais me chamou a atenção: os coxinhas. 

Li em diversos lugares, críticas direcionadas a Seleção Brasileira e a Copa do Mundo em geral.  Isso seria normal e perfeitamente aceitável se não viesse de pessoas que há 26 dias seguidos vinham torcendo e se emocionando com o espetáculo que foi a Copa do Mundo no Brasil. Essas pessoas então começaram a dizer que o Brasil não deveria ter sediado tal evento e que o dinheiro deveria ter ido para a saúde e educação (o bom e velho discurso que escutamos desde o início). Ouvi dizer até que a Copa foi vendida para os alemães. Logo deduzo que essas pessoas além de mudarem de opinião tão rapidamente ainda tiram o mérito dos jogadores alemães que ganharam merecidamente, certo?!

Se o Brasil então ganhasse a Copa de 2014 e levasse o hexacampeonato, logo na visão destas pessoas, a Copa teria sido comprada e tudo já estava esquematizado. E agora que o Brasil perdeu foi o próprio Brasil que vendeu a Copa para os alemães? A estas pessoas peço apenas que sejam coerentes com seus sentimentos e convicções. Toda forma de entendimento é bem vinda, desde que não exista hipocrisia.

Admiro mais aqueles que em casa ou no estádio se emocionaram com a derrota, do que aqueles que se dizem politizados. 
A Seleção Alemã deu um show em terras tupiniquins. Voltou para Alemanha um pouco mais verde e amarela. Foram admirados pelo bom futebol, pela extrema simpatia e pelo respeito para com os torcedores brasileiros e funcionários contratados para trabalhar em seu centro de treinamento. Claro que, como recompensa, levou a taça mais importante do futebol mundial para casa e como trilha sonora, os aplausos ao fundo vindos do mais brasileiro dos estádios que, por algumas horas, transformou o canarinho em preto, vermelho e amarelo.

Talvez agora as coisas se encaminhem para uma tão esperada mudança no país e no futebol brasileiro. Talvez. 
Não poderia terminar esse texto sem me lembrar da Argentina e seus torcedores. Aos nossos hermanos deixo a minha homenagem: Argentina, decime qué se siente.  

 

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Camila Caproni

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Aspirante a jornalista. Se perde e se encontra no mundo das palavras. Observadora do comportamento humano.
Apaixonada por cães e suas peculiaridades. Autocrítica nas horas vagas e fã de fotografias e chocolates Ferrero.