por Andrea Pavlovitsch

Não seja vítima de um golpe do coração

Seguinte, artigo quase de utilidade pública agora. Ontem estava eu sentada em uma lanchonete de empanadas, com uma daquelas grandes de carne e um refrigerante zero, batendo papo com uma amiga de velha data. E começamos, nem sei direito o porquê, a falar como vemos carência nas mulheres. 

Ela é bem interessada no tema e também estuda relações abusivas e tudo mais. Lembrei de um caso que tinha lido em uma revista dias antes, onde uma moça, que conheceu um “rapaz” pela internet, tinha sido vítima de um golpe. 

A moça conversou com ele por um aplicativo. Ele geralmente não aparecia na webcam e do nada começou a pedir dinheiro. Era um homem romântico, que vivia mandando mensagens fofas tiradas de biscoitos da sorte e que a deixaram super apaixonada. No final, ela descobriu que ele não existia, era outra mulher golpista que levou 17 mil reais dela e toda a sua autoestima. 

E não adianta falar “eu nunca cairia nisso”, porque você não sabe. Nós, mulheres, somos criadas (principalmente nas culturas latinas) e ensinada que ter um homem, um companheiro, um marido é o auge das nossas existências. Que não seremos “completas” enquanto não estivermos muito bem acompanhadas e sendo amadas e tendo uma família e mais um monte de bobagens que aprendemos com as malditas princesas da Disney. 

Pois bem, existem caras que são profissionais (no caso, nem um homem era) em “pegar” essa nossa fraqueza cultural e enganar (sim, a mulher brasileira é famosa no exterior por isso). Já vi todos os tipos de casos possíveis. Desde o “golpe do presente” até o famoso “estou tentando entrar no Brasil, mas a polícia federal quer 10 mil para me liberar”. Passando por mãe doente, desemprego, problemas de saúde, dívida com os filhos, enfim, diversas coisas para arrancar dinheiro mesmo. 

Geralmente são homens bem-apessoados (os perfis são falsos), que tem uma situação financeira boa, mas estão “passando por uma dificuldade”. E o problema disso não é só dinheiro que eles levam, mas a desilusão e os problemas emocionais que deixam nessas mulheres. E o problema não é eles fazerem só. É que eles fazem porque sim, somos carentes demais. 

Quanto mais desvalidada você foi na vida, quanto mais você ouviu que o seu papel era ser uma mãe de família ou uma cuidadora de qualquer espécie, mesmo que isso não fosse a sua vontade, mais nisso você vai cair. E isso existe, e muito. Você ficaria surpreso com a quantidade de mulheres que são virgens passando, às vezes muito, dos 30 anos. E não é que sejam pessoas do mal, “feias” ou “burras”, mas só desvalidadas pelo padrão cultural, que faz com que elas sintam muita vergonha delas mesmas e não entender que sim, podem ser amadas pelo que são. 

Imagine então uma mulher que passou por 30 anos, ainda é virgem, não tem nenhuma experiência de vida e acaba sendo atraída por um cara que fala tudo o que o príncipe encantado falaria? Ou até mesmo mulheres que tiveram experiência, casamentos e namoros, mas que ainda acreditam naquele “sonho de amor” da adolescência? Já vi mulheres devendo fortunas por fazerem empréstimos para homens com quem se relacionaram por poucos meses e que se esqueceram delas no dia seguinte da primeira parcela. E isso é muito complicado e triste. 

A polícia federal chegou a soltar uma nota dizendo que não cobra para “liberar” presentes ou pessoas na alfandega, de tanto que isso era perguntado! Então, o que diabos está acontecendo que tantas mulheres ainda estão caindo em golpes assim e criando um “turismo emocional” no nosso país? 

Esclarecendo: nem todos os golpes são financeiros. Podem ser sexuais também, homens que querem sexo fácil e que usam o que tiveram ao seu alcance para isso. E não só estrangeiros, mas muitos daqui mesmo. E não são só pela internet, você pode conhecê-los em qualquer lugar, na realidade. E sim, podem ser de mulheres fazendo isso com homens, mas é bem mais difícil. 

Então, como se proteger disso? A única coisa possível é você se conhecer. Autoconhecimento, trabalho interior, melhorar a sua autoestima. Fazer coisas que você gosta, ter uma vida interessante e saber que amor é algo que acontece, que rola nas nossas vidas. Que os sonhos de amor da Bela e a Fera são coisas que ficaram lá, nos contos de fada que foram, na realidade, mal interpretados para criarem historinhas da carochinha para lavar as nossas mentes e nos manter imbecis. Isso é um perigo! Você precisa tratar e cuidar de você mesma antes de querer uma relação e para poder ter o controle sobre si mesma quando isso acontecer. 

Eu acredito no amor. De verdade! Acredito em entrega, acredito em romance, mas acredito que eu sou a fonte da minha felicidade e não nada e nem ninguém fora de mim. Se a sua vida está ruim, mude-a agora, não espere que ninguém venha te salvar em um cavalo branco. 

Só você pode ser o seu amor. E sim, o amor vai chegar para você quando entender e perceber isso, não interessa quantos anos você tenha e nem o que tenha acontecido antes. Acredite, ser feliz é bem mais fácil do que imaginamos.

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.