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por Andrea Pavlovitsch

Que hora dizer “eu te amo”?

Escuto muito essa pergunta. Já estão namorando há um tempo. Ele conheceu até seus pais e vice-versa, mas dizer as três palavrinhas mágicas parece um parto. Afinal de contas, porque é tão difícil dizer “eu te amo”?

Na verdade, em português essa frase tem um efeito forte demais. Foi dada uma conotação extremamente romântica e extremamente pesada para as três palavrinhas. Se você escutar qualquer conversa em inglês, perceberá que dizer “I love you” é uma coisa natural, que amigas dizem para amigas desde o primeiro dia em que se conhecem. Aqui, é quase uma garantia de amor eterno.

E não é. Não é porque eu amo alguém hoje que vou amar para sempre. Mesmo porque isso é da ordem do coração, das emoções, não da cabeça, do racional. A impressão que se tem é que, se eu disser “eu te amo” vou estar num compromisso firme e eterno com o outro, o que nem é verdade.

Afinal, o que é amar alguém? Outro dia uma amiga me deu uma definição, que ouviu de outro amigo, sobre essa coisa de quando dizer eu te amo numa relação. Ela disse que, se a pessoa te faz bem, se o momento é bom e se você quer continuar com aqueles momentos, pelo menos por enquanto, isso já é amor. Porque amor tem que ser algo tão grandioso e forte? Por que não reconhecemos os diferentes tipos e intensidades de amor? Porque atração, querer estar junto e conversar já é amor. Se vai durar uma noite ou a vida toda, são outros quinhentos.

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É interessante porque a dificuldade não é só em dizer nas relações amorosas, mas também para as pessoas próximas. Pai, mãe, filhos, irmãos. E aí é que entra o grande problema: dizer que você ama alguém expõe as suas vulnerabilidades. E ninguém quer parecer vulnerável para ninguém.

No fundo é uma questão de orgulho. Se ele souber que o amo, ele vai usar isso da pior maneira. Vai tripudiar em cima de mim. Sabe quando somos crianças e alguém começa com aquela brincadeira de “tá namorando, beijou na boca” ou o “com quem será” do bolo do aniversário? Pois é, constrangimento. Passamos por esse constrangimento porque, quando falamos de amor, na frente de todo mundo, nos sentimos envergonhados e vulneráveis. 

Então, qual é a solução?

Primeiro, trabalhar o fato de que, sim, somos seres vulneráveis. E possivelmente amar alguém é uma vulnerabilidade. Mas que ser vulnerável não é ser fraco, muito pelo contrário.

O amor, amar não deixa ninguém mais fraco. Muito pelo contrário. Quantas histórias de superação aconteceram por conta do amor que alguém sentia por outra pessoa – filhos, amigos, amantes? Quantas mães trabalham 12 horas por dia por seus filhos? Quantos pais aturam chefes ou trabalhos insuportáveis por amor? Para não deixar faltar nada? Não existe fraqueza nenhuma em amar. Só força. 

Então, o segundo passo é aprender a dizer. Abrir a boca e dizer. Quando vai desligar o telefone. Quando estiver fazendo amor. Quando mandar uma mensagem. Mas lembre-se de que o amor precisa ser algo que foi realmente despertado em você, por admiração ao outro, por exemplo. Pense, sinta bem antes de dizer e, quando souber que é amor, manda ver.

Beleza?

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.