por Andrea Pavlovitsch

Amar (sem possuir?)

A pergunta é: é possível?

Em tempos de amor narcísico, de posse, de meu/seu/nosso, a gente se pergunta o que diabos é o amor. Será que é só sentir? É ter o outro perto? É namorar, é casar, é ser sexualmente realizado? É dividir o amor com o outro.

Atendo muitas pessoas que são casadas e tem “namorados ou namoradas” fora do casamento. Mulheres insatisfeitas que querem um novo compromisso. Homens entediados que querem novas aventuras. Às vezes é o oposto, às vezes é só contrário do natural. Pessoas buscando sempre uma coisa mágica e realizadora fora delas mesmas.

Sei que amar é muito bacana. Cá estou eu encarnada, amando e desamando repetidas vezes na eternidade. Mas será que é esse o tipo de amor que andamos pesquisando e procurando?

A solidão, essa eterna inimiga. Buscamos no outro deixar de senti-la. Mas não é possível. A solidão é um estado de quase de loucura. Alguma coisa química que acontece em nós quando estamos, pasmem, longe de nós mesmos. Quando a distância, que separa quem nós somos de verdade e o que nos tornamos para o mundo, para agradar e para “ser feliz”, fica insuportável. Escuto pessoas que dizem que não sabem o que fazer com o tempo sozinhas. Isso é uma baita distância de si mesmo. Não é possível que não exista nada, nadinha que você só goste de fazer quando está você com você.

Companhia? E será que isso existe assim, por existir? Que podemos só nos deixar ficar ao lado de alguém e achar que isso preenche alguma coisa? Você sabe que não, eu sei que não. Fazemos companhia para o outro, esperando que o outro faça companhia para nós mesmos. Mas isso não consegue nos preencher, não completa a nossa solidão. Não nos faz sentir aquela coisa linda e completa, cheinha, que sentimos todos no útero da nossa mãe. Buscamos, a vida toda, voltar a sentir aquilo. Como uma memória apagada, mas que sempre volta das profundezas.

Aprenda a ser só, se quiser ser dois. Se quiser ser três, quatro ou cinco. Entenda que sim, nascemos e morremos sós, mas podemos amar e ser amados no meio do caminho. Talvez por um amor da vida toda, talvez por muitos. Por grandes amores de uma só noite, por amores espalhados pela vida. Pelas plantas, pelos animais, pela natureza, mas, principalmente, aprendendo a se bastar. Aprendendo a sempre ter um plano B para quando a festa acabar ou estiver frio demais para os amigos saírem debaixo dos seus cobertores. Amar porque é bom. E ponto! Sem esperar. Sem alcançar. Só amar.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.