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por Andrea Pavlovitsch

A culpa nossa de cada dia

Estou para ver coisa mais complicada da gente lidar na vida do que a culpa. Parece um parasita na nossa mente. Não deixa a gente dormir, não conseguimos fazer as coisas direito e, quando bate, dá uma depressão legal. Mas como lidar com ela? 

Primeiro: o que gera sentimento de culpa? Pode ser qualquer coisa, mas para cada pessoa isso é diferente. Tem desde a culpa de ter furado a dieta, até aquelas culpas grandes, de vida mesmo. Eu me lembro que alguns meses antes da minha avó paterna falecer eu desapareci da casa dela.

Eu tinha só 14 anos e não sabia lidar com a doença dela e mais os rompantes da adolescência. Quando ela morreu, eu não conseguia acreditar. Só acreditei quando vi ela no caixão e aí a culpa bateu forte e durou anos. Somente muitos anos depois eu percebi o quanto aquilo me fazia mal e me perdoei. Eu era uma criança, eu não sabia lidar com aquilo e eu sei que ela também me perdoaria por isso.

Outras culpas são menores, mas também nos matam. A culpa de deixar um emprego que “todo mundo quer” mas que não tem nada a ver com você. Ou um casamento assim. O que é bom para o outro, obviamente não é bom para gente, mas parece que seria uma afronta se fizéssemos isso com o outro.

Como assim? Você tem uma vida perfeita e quer acabar com isso? Podemos passar anos descontentes por sentimento de culpa.

A culpa que temos quando paramos nossos carros no farol e vemos aquelas pessoas nas cadeiras de rodas pedindo dinheiro, ou aquela penca de crianças pedindo. Imediatamente pensamos “Poxa, eu tenho tanto, e elas não tem nada. Deixa eu dar esse dinheirinho para elas”. Claro que isso não resolve nada! Mas alivia a sua culpa.

A culpa ainda é muito forte porque ela faz parte da doutrina judaico-cristã. Não que as coisas sejam assim agora (em alguns casos sim, mas são raros). 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.