por Aline Camargo

Inferno astral – Isso existe mesmo?

Muito bem, o aniversário está chegando, praticamente 12 meses foram vividos e muitas promessas e desejos listados lá no mês 01, no mês do seu nascimento, estão ficando com os dias vencidos.

Sempre que nos propomos algo, uma meta, o regime da segunda, aquele projeto engavetado ao recomeço, nos colocamos uma data final. Da mesma forma, que independente de que mês seja seu aniversário, esse ciclo tem dia e hora para acabar.

A ansiedade que geramos a cada dia e instantes com as mazelas da vida e nossas promessas inacabadas tem o mesmo efeito da virada do ano, assim, tudo pode recomeçar e ser “reprometido” mais uma vez.

A culpa é de quem? Do inferno astral!

Como todo bom ciclo e nossa necessidade de nos esquivarmos de nós mesmos, sempre que sentimos certa ansiedade por um prazo vencendo de pronto nos colocamos a achar desculpas para o “azar”.

Pensar que em algum momento você se traiu e adiou ao extremo certas resoluções, jamais! Assim criamos a culpa que pesa em nosso sono e saúde. Rapidamente apontamos o dedo e a culpa de um desses momentos pode ser de quem? Do inferno astral!

Como astróloga e observadora da vida, me sinto cansada de ouvir e ser questionada sobre a existência desse tal inferno astral que já adianto, não existe! Acima comecei a trazer ciclos, promessas e as tensões de não ter cumprido os próprios desejos e anseios, assim, não sobra muito espaço para colocar os astros na cruz. Os planetas não estão de olho em cada um de nós para saber o aniversário e assim, isoladamente começar a vibrar um inferno para cada ser.

Não estou dizendo, porém, que não exista momentos tensos entre os astros, sim existem, alguns deles sentimos na pele, como o retorno de Saturno, que acontece aproximadamente a cada 28 anos de vida. Ou a tensão que vivemos hoje entre Urano e Plutão, os astrólogos falam em crise, eu chamo de dança tensa entre os planetas. 

Para tudo isso virar um inferno e a vida sair da rotina, nem de longe pode ser dada a culpa para os planetas, e sim, em como cada um lida e soluciona cada tensão. Que chega de forma igual para todos esses finais de ciclos, não tem como negar, e ainda assim, não é todo mundo que fica de cara fechada. O mesmo se deve pensar em relação ao aniversário. Se daqui 30 dias (como determinam os que acreditam no inferno astral) é seu aniversário, você tem certeza que sua mente e seu inconsciente não vão mesmo fazer o check list desses quase 12 meses?

Pegue leve: somos treinados para dar conta de tudo, mas a vida tem fluxos leves e tensos

É claro que nem tudo que prometemos conseguimos findar, mesmo que em um ciclo aparentemente grande de 12 meses. Muitas outras informações passam por nossos olhos e desejos, a preguiça de movimentar certas áreas da vida que poderiam incomodar e gerar a frustração, a ansiedade de ter tido um ano diferente... esse balanço final quando as metas ficaram mais em segundo plano que resolvidas gera o mal-estar final do ciclo.

A mudança aqui é parar de apontar para todos os lados ao invés de conseguir assumir que não deu conta de tudo, o que aceitavelmente gera um inferno em cada um. Somos feitos e treinados para dar conta de tudo, mas a vida tem seus fluxos leves e tensos, e como cada um reage a esse encontro é que determinará a qualidade dessa vibração.

Também vale lembrar que não dar conta de todas as promessas é natural, o que ajuda em muito a não deixar o final do seu ciclo pior. Um bom começo talvez seja se planejar sabendo que tudo pode mudar de direção a qualquer instante. Com toda certeza, no final do ciclo dos 12 meses da sua vida para o próximo aniversário não terá a cor do inferno astral.

Aline Camargo

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Aline Camargo é astróloga atuante há oito anos, com formação em astrologia clássica e contemporânea. Também trabalha com o tarô dos Orixás há dez anos.

Em contato com a religião Afro-Brasileira desde os sete anos, tornou-se estudiosa do Culto Africano no Brasil em 1998. Leciona aulas em grupo ou individual sobre astrologia e taro dos Orixás. Realiza ainda cursos livres de filosofia para compreender melhor o consulente e na prática do atendimento.

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