por Andrea Pavlovitsch

Minha cartinha para o Papai Noel

 E daí se eu já estou velha para acreditar nele? Ainda assim eu decidi fazer uma carta e pedir todos aqueles presentes que, no fundo, eu sei que eu mesma terei que ir à loja comprar. Mas uma ajudinha do Universo é sempre, sempre bem-vinda.

Querido Papai Noel,
Este ano eu não fui uma boa menina. Isso porque eu descobri que boas meninas, boazinhas demais, nunca conseguem muitas coisas. Eu era, sabe Papai Noel, mas depois que eu desisti de agradar todo mundo eu me tornei uma pessoa melhor e as coisas deram mais certo. Então, me desculpe, não vai rolar essa parte.

Mas mesmo assim eu fui bem legal. Fui (e estou sendo) bem legal comigo. Estou comendo coisas mais saudáveis (até mesmo cozinhando). Tomo todos os meus remédios direitinho, incluindo os complementos alimentares. Eu cuido da minha casa, que está sempre bonita, limpa e cheirosa. Não ando acumulando nada nos armários e nem no meu coração.

Aliás, falando nisso, fiz uma boa faxina. Tirei as mágoas, ressentimentos, tentativas de manter tudo sobre controle (que horror, tenho até um pouco de vergonha de dizer que já fui assim). Tirei aquela mania de ser uma pobre vítima do mundo. Agora eu tenho o meu poder e sou dona do meu próprio destino.

Então, acha que eu mereço uns presentes? Além de uma sapatilha preta de bico fino da Casa Eurico (afinal o outro papai, o do Céu, foi generoso nos meus pezinhos 40), uma calça flare da C?&A e uma saia midi (se quiser, Papai Noel, eu tenho o link do site para vender), eu quero a certeza de que nunca mais, nunca mais mesmo, serei desleixada comigo mesma. Nunca mais vou me abandonar, nunca mais vou me deixar em segunda opção. Que eu sempre serei a minha prioridade. Não, não de um jeito egoísta, onde só exista a mim mesma. Mas daquela maneira em que, quando você está bem, tudo fica bem.

Sabe Papai Noel, eu quero ajudar a humanidade, acho que isso é bem legal. Mas, sempre, antes de tudo, eu quero ser feliz. Quero ter um amor que me ajude nisso, uma casa que me ajude nisso, um trabalho que me ajude nisso. Amizades que me ajudem nisso. Uma família linda que me ajude nisso. E, claro, sempre, um potão de autoestima para durar o ano todo.

Agradeço desde já e prometo que vou deixar rabanadas quentinhas e um copo de leite para o senhor.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.