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por Lucas Alencar

Nos braços leves da Morte

“Oh, Morte... Tu que és tão forte, que matas o gato, o rato e o homem. Vista-se com sua mais bela roupa quando vieres me buscar.” Canto para minha morte – Raul Seixas Como é curiosa a Morte. Como é frágil a vida.

Todos somos subordinados da Morte. Ela vem, cedo ou tarde.

Quantas pessoas enfrentam doenças gravíssimas, permanecem meses em estado terminal, são desenganados pela medicina e, no fim das provações, permanecem vivas e sadias para contar suas histórias e encher de lágrimas os olhos dos mais emotivos.

Quantas outras, porém, saem de suas casas num belo de dia sol e, sem aviso prévio, são levadas de suas famílias em um acidente ou num súbito mal estar. Como é fácil destacar, a Morte não precisará de motivo nenhum quando estiver pronta para lhe buscar e nenhum motivo será forte o suficiente para te vencer se não for do interesse Dela que você abandone a vida.

A rua que você acabou de passar pode nunca mais tornar a ouvir seus passos; a pessoa que se despediu de você hoje pode nunca mais te ver. A Morte, muda, caminha ao seu lado e é impossível saber a hora em que Ela vai te beijar. Com que forma e rosto Ela virá? Ela vai te deixar terminar o que estava fazendo? Será que vai te pegar no meio de um jantar ou durante uma viagem ao mundo tranquilo dos sonhos? Ela vai esperar você conhecer o amor que lhe foi destinado? Você, eu, todos saberemos somente no momento em que Ela vier, por puro capricho divino ou macabro. Muito mais do que morrer, o maior temor é perder quem amamos. Como é difícil... Não importa o quanto você diga que está preparado para ver partir aquele que está à beira da morte, deitado em uma cama. Você não está. Nunca estará. É possível conformar-se que a pessoa partirá em breve, mas aceitar isso beira o impossível.

Pior que isso é receber a notícia da morte daquele que, há instantes atrás, disse “até mais” e fechou a porta, prometendo voltar amanhã. Como aceitar o, literalmente, desaparecimento de uma pessoa? Como aceitar que ela, simplesmente, deixou de existir? É tortuoso olhar para as coisas que, com tanto carinho, aquela pessoa cuidou ao longo de sua vida e não teve a simples chance de se despedir.

A Morte é inadiável, Ela não deixará notas ou lembretes de que está vindo. Portanto, perdoe, se permita ser perdoado, peça perdão. Ame e permita-se ser amado. Abrace quem merece ser abraçado e, até mesmo quem não merece. Chore as lágrimas que precisam ser choradas. Viva com o máximo de vontade e deixe as pessoas que estão em sua vida perceberem que você as ama e que está vivendo intensamente para que, quando partir, elas possam dizer: “Partiu, mas soube como viver.”.

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Lucas Alencar

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Jornalista em formação, apaixonado por literatura, sonhador e saudosista de épocas em que não pôde viver.