por Lilian Evangelista

Quebrem os Grilhões!

Em 1889, foi criado o Dia Mundial do Trabalho por um Congresso Socialista, realizado em Paris, em homenagem à greve geral, que aconteceu em primeiro de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

No Brasil, com o governo de Getúlio Vargas, a data ganhou o status de “dia oficial” do trabalho, pois era nesse dia que o governante anunciava as principais leis e iniciativas que atendiam as necessidades e as reivindicações dos trabalhadores.

Muito se foi conquistado, porém a realidade nos mostra que ainda hoje, muito ainda há que se lutar, para que aqueles que produzem a riqueza da sociedade, tenham uma real e satisfatória condição de vida.

O Trabalho envolve muito mais do que um salário digno, redução de jornada de trabalho, férias e aposentadoria, inclusão de pessoas especiais – isto são os nossos direitos, reconhecidos por lei – o trabalho envolve respeito, reconhecimento, liberdade.

À pouco comemoramos o Dia Internacional da Mulher, data que nos recorda a luta de mulheres operárias para que seus direitos fossem reconhecidos. Ainda hoje, a mulher não é reconhecida pelo seu trabalho, ainda hoje vemos casos em que mesmo executando o mesmo serviço do homem, ela possui salário inferior.

Hoje não temos mais o que chamávamos de trabalho escravo. A expressão contemporânea que a mídia nos apresenta é trabalho forçado, que designa a relação de trabalho onde seres humanos são obrigados a exercer uma atividade contra sua vontade, na maioria das vezes sob ameaças, e por conta disso, vozes são sufocadas, vidas são ceifadas. Isso sem falar de menores que perdem sua infância no trabalho escravo; mulheres e meninas que são traficadas para a prostituição forçada, trazendo à memória o período negro de nossa história.

Hoje a data de Primeiro de Maio é comemorada como um dia de feriado nacional, com pequenos comícios, passeatas e festividades, mas não devemos nos esquecer que a data é marcada por repressão, prisões, feridos e mortos.

Mais do que um dia de descanso, a data representa a luta por melhores condições e valorização de todo e qualquer trabalho ao longo de nossa história.

Meu Maio, de Vladimir Maiakovski:

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!

 

Lilian Evangelista

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Escritora de coração. Casada, mãe de dois filhos. Um livro publicado no ano de 2014 "Entre anjos e flores" pela Editora Virtual Ânema. Atualmente escrevo em meu blog pessoal. "Descobri que as palavras são a minha revelação,e permitem que eu seja essa pessoa que se constrói e se desfaz, pois a cada nova palavra, um novo pensamento."