por Mia Vilela

A simbologia de Aquário

Aquário é o último signo da tríade dos signos de Ar. Conforme explicado nos artigos sobre os dois outros signos desse elemento, em Gêmeos o homem aprende a importância de se interessar e buscar toda sorte de conhecimento e difundi-lo e, em Libra, aprende a utilizar a razão adquirida nos estudos para, de forma razoável e ponderada, estabelecer um conceito de justiça, bem como equilibrar as suas atitudes e impulsos, de modo a conseguir um equilíbrio interno que lhe permita relacionar-se numa base de harmonia.

Uma vez aprendidas essas lições, a nossa capacidade intelectual simbolizada pelo elemento Ar atinge o seu ápice em Aquário, onde a mente alcança o pensamento científico e impessoal, possibilitando feitos que transcendem o próprio homem considerado individualmente e passam a ter um impacto social. Estamos, pois, na dimensão da ciência, da política e da fraternidade.

O coração desse tripé é, sem dúvida, a fraternidade, sem a qual o avanço científico e o exercício da política levam ao totalitarismo, populismo e, em último caso, a guerras de extermínio.

É a fraternidade que permitirá que a impessoalidade do signo de Aquário não vire frieza, o que levaria à predominância do individualismo característico do eixo Leão-Aquário. Recordemos que, a todo signo de Ar (racional), se opõe a um signo de Fogo (passional) e há, sempre, uma característica do signo de Ar que será a crucial para evitar que sua razão seja dominada pelas raias da paixão de seu oposto/complementar. E, no caso de Aquário, essa característica é a fraternidade.

Simbolicamente falando, é a partir do ideal de fraternidade, construído a partir de uma capacidade de análise impessoal da vida, que Aquário consegue atingir a mente superior e possibilitar a evolução tecnológica e científica do homem, viabilizando melhores condições de vida e sustentabilidade. Sem a motivação de procurar o desenvolvimento que beneficie a todos, indistintamente, a ciência e a tecnologia podem levar à destruição da própria espécie e do planeta.

De igual forma, é esse ideal que deveria, ao menos de acordo com a simbologia milenar astrológica, embasar a atividade política, na medida em que essa concretiza, no atual modelo mundial, o processo através do qual tudo aquilo que foi pensado e construído (incluindo a justiça desenvolvida em Libra) possa ser distribuído à população. São as decisões políticas que determinarão como a divisão será feita e, sem um senso fraterno imparcial, caímos, novamente, nas garras da tirania, da concentração de renda, do privilégio, do preconceito etc. Todos símbolos do que há de pior no eixo Leão-Aquário.

Mitologicamente, Aquário está associado a Prometeu, que deu o Fogo dos Deuses aos homens e representa a mente superior que, depois de muito estudo, consegue processar todo o material de modo impessoal, possibilitando entregar à humanidade o conhecimento avançado que lhe garantirá o maior dos ideais de Aquário: a independência.

Esse conhecimento bem alicerçado também permite que a independência almejada seja obtida a partir de processos fraternos e racionais e não de rebeliões baderneiras e embasadas num anseio não revelado de anarquia, que também está representado na simbologia de Aquário. E, para tanto, esse processo deve ser desenvolvido com toda a disciplina de Leão (o signo oposto/complementar de Aquário).

E, por fim, o segredo é que essa independência, adquirida a partir de muito conhecimento, deve ser, de modo organizado e disciplinado, possibilitada a todos, tal qual a imagem astrológica do signo, representada por um homem que, do céu, despeja água sobre a humanidade. Se esse conhecimento, essa inteligência e esse anseio de independência forem utilizados em detrimento dos demais e não de modo fraterno, ter-se-á a destruição de si e do coletivo.

Não acredita? Leia o noticiário mundial. Estamos esbarrando na Era de Aquário, e, o que a humanidade se comprometeu a aprender, aprenderá. Seja pelo amor, seja pela dor, a escolha é nossa. Somos independentes em nossa natureza, precisamos apenas aprender a sermos, de fato, independentes e fraternos enquanto espécie e não apenas individualmente. E, para tanto, precisamos, com muita disciplina e determinação, desenvolver nossa mente superior e nossa capacidade de raciocínio imparcial.

Mia Vilela

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Mia Vilela é astróloga desde 2004, formada pela Regulus Astrologia. Suas consultas são voltadas ao autoconhecimento e previsões.

Desde a infância Mia sempre foi muito curiosa acerca da Astrologia, pois sua natureza controladora a fez desejar desvendar os mistérios do destino: como assim não podemos controlá-lo? Acabou por aprender que a nossa personalidade é o nosso destino e percebeu que a Astrologia, antes de um oráculo, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento, bem como uma das inúmeras fontes de conhecimento sobre o funcionamento da personalidade humana.

Por meio de uma linguagem acessível, Mia espera poder compartilhar o que aprendeu e tem aprendido nesses anos, a fim de que mais pessoas possam ter acesso ao que a Astrologia tem a nos ensinar. Com isso, espera contribuir com uma sementinha para que os leitores depositem um olhar mais profundo sobre si mesmos, entendendo que, ao mudarmos nós mesmos, mudamos o mundo à nossa volta.