por Andrea Pavlovitsch

As amigas curam

Recebi o nome deste pequeno artigo junto de um e-mail de uma grande amiga. Ela mandou um destes arquivos PPS que, pra ser sincera, eu ainda nem abri, mas acho que tem tudo a ver com o que eu estou tentando passar para todo mundo.

Depois de uma semana difícil, com uma amigdalite e reações a medicamentos, eu me sentei num café com as duas moças do meu quarteto de amigas inseparáveis. Digo o quarteto porque, apesar de uma estar morando fora, ela sempre terá o seu lugar cativo no grupo. O café não é lá essas coisas e as três estavam bem cansadas depois de uma semana inteira de trabalho e dedicação às suas carreiras. Uma delas está organizando uma viagem e queria conversar sobre os detalhes, os lugares que quer conhecer e os amigos que vai encontrar. A outra queria contar sobre seus amores, seus progressos e sua vida. Eu queria mais ouvir, porque estava com muito sono e entupida de anti-inflamatórios, mas sabia que não poderia perder o encontro.

Estes encontros são para mim como um bálsamo. Falamos sobre tudo e um monte de bobagens que só as mulheres entendem. Além das últimas tendências de batom, música, a saia linda da moça da novela e o que realmente queremos da nossa vida amorosa. Comparamos as nossas vidas com as das mulheres casadas e com as mulheres que têm filhos (como se isso fizesse mesmo alguma diferença) e sobre as pessoas que conhecemos e que gostaríamos de conhecer. Ao final do encontro eu nem mais sabia o que era amigdalite.

Sério. A dor da semana toda da garganta desapareceu depois de uma boa sessão de risadas e um Baby Sunday de chocolate. Pensei que assim como as doenças são criadas por estados de espírito, claro, podem ser curadas por estados de alma diferentes. Assim, a minha amigdalite terminou de sumir e a alma estava leve como uma pluma e eu feliz como uma adolescente.

Casos de amizades entre mulheres são famosas no cinema e na TV. Eu, por exemplo, sou completamente apaixonada pelo seriado Sexthe City e juro que é mais pela The City do que pelo Sex. Na cidade de Nova York elas têm de tudo: festas badaladas, roupas incríveis, homens maravilhosos. Mas o que seria disso tudo se elas não tivessem as amigas com quem compartilhar as dores e as bênçãos de suas vidas? Alguém com quem conversar sobre aquelas coisas que, não adianta, não tem irmão, namorado, marido ou mãe que dê conta. Aquelas coisas que nos fazem perder o sono, que nos fazem chorar e viver.

Não digo que ter amigas é melhor do que qualquer outra coisa. Sim, porque as pessoas têm lugares diferentes nas nossas vidas e precisamos de todas. Precisamos no sentido de abrir o nosso horizonte, de nos mostrar caminhos e soluções muito diferentes daquelas que estamos acostumadas. Mas, no meu mundo, não podem faltar as velhas companheiras. Mesmo que às vezes elas sejam chatas e te digam, na sua cara, que você precisa resolver aquele assunto pendente de uma vez por todas. Ou que, sim, você engordou. Ou que não, você está ótima. Ou que aquele cara não serve para você. Claro que, no final, as escolhas são sempre nossas. Mas como é bom um ou mais ombros amigos nessa hora.

Eu quero mandar um grande beijo a todas as minhas queridas amigas. Não só do meu quarteto, mas todas. As casadas, solteiras, com filhos ou sem, que trabalham fora ou não, que gostam ou não de Madonna e Sexthe City. Porque com cada uma eu sempre aprendo uma coisa diferente. E todas são parte integrante do mundo esquisito e bagunçando de Andrea. Um grande beijo a cada amigo do Universo.

P.S. Depois de escrever isso eu vi o PPS que dizia que tudo isso é provado cientificamente.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.