por Daiana Barasa

Cavalos Selvagens

Eu prefiro os Rolling Stones, gosto das músicas, me emocionam e me despertam para muitas coisas... Um dia, por acaso vi na TV o show da banda no momento da execução da música Wild Horses e... chorei... Meu inglês é péssimo, mas de uma forma impressionante aquela música entrou em minha alma.

E quando penso em “Cavalos Selvagens” automaticamente faço uma associação com um velho carrossel na minha infância, me lembro que estavam preparando perto de casa algumas brincadeiras de quermesse e havia um carrossel, com aparência envelhecida, os cavalos eram brancos e estavam desgastados... Mas era mágico quando as luzes acendiam e quando aqueles cavalos rodavam, em velocidade cada vez mais rápida, a sensação que eu tinha era de estar diante de um círculo mágico.

Me emociono ao lembrar e escrever sobre isso, algo que minha memória resgatou agora mesmo, “wild horses couldn't drag me away”, cavalos selvagens não poderiam me levar embora, mas o que isso quer dizer? Que cavalos são esses? Me levar aonde? Acho que todas as pessoas têm os seus cavalos selvagens que por mais selvagens que sejam não podem lhes tirar do caminho, do destino, da sina, mais do que isso, não há como não enxergar esses cavalos com carinho, com saudade, com amor e com tristeza também.

É natural que as pessoas procurem respostas, questionem, tentem encontrar sentido nas coisas que lhe acontecem, mas aprendi que nem todas as coisas são passíveis de compreensão e essa “incompreensão” é o que as torna mágicas, procurar um sentido para elas seria como blasfemar daquilo de tão nobre e misterioso que existe para que a vida seja incrivelmente desejada como é.

Não sei o que banda pretendia com a música composta pelos brilhantes Mick Jagger e Keith Richards, mas o que de fato me importa é aquilo que sinto quando a ouço, não sou nada, entenda, não pretendo resenhar a música ou algo do tipo, o que acho importante lhe dizer é: cavalos selvagens nem sempre podem ser compreendidos, enxergados e até mesmo bem quistos. Cavalos selvagens não conseguiriam me levar embora até mesmo por que não quero ir. Entende? Por mais sombria que a vida possa ser, ás vezes, por mais dificuldades e adversidades, não é o suficiente para que eu desista, não pode ser o suficiente para que você desista.

Os meus cavalos selvagens são mágicos, eles são vivos e rodam ao meu redor, tão rápido, mas tão rápido que eu não poderia jamais “burlar” a magia de tê-los em minha volta. Mas eu não quero que eles desapareçam do meu caminho, são importantes, me fazem entender que por mais “selvagens” que algumas situações se apresentem, ainda assim, vale a pena seguir, vale a pena cantar e brindar.

A música começa dizendo que a infância é algo fácil de ser vivido e quase no final diz que precisamos tentar viver algo depois de morrermos. Sim, pessoas podem morrer antes da morte, mas precisam tentar viver depois do fim, por isso, se reinvente, não desista, se ressuscite se tiver morrido e viva, não tenha medo dos cavalos selvagens, eles existem para que você entenda que a vida é mágica mesmo quando aparente ser sombria em muitos momentos.

Daiana Barasa

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