Como agradar cada Orixá

Existem momentos em nossas vidas em que estamos propícios a absorver energias negativas e vulneráveis a situações de fragilidade. Nesses momentos, somos testados e, muitas das vezes, colocados em prova. Acabamos nos sentindo com medo, inseguros ou com a sensação de incapacidade de realizar as coisas.

É nesses momentos em nossas vidas que devemos buscar orientação e proteção espiritual, concedida pelos orixás. Os orixás podem nos trazer proteção e bênçãos, além de ajuda para os momentos difíceis.

Muitos adeptos de religiões de matriz africana, como o candomblé, quando necessitam fazer algum pedido ou agradecimento, realizam oferendas aos orixás, que são agrados feitos de formas específicas dependendo de qual divindade, pois cada um tem sua forma de agradar.

Quem pode fazer uma oferenda?

Para realizar uma oferenda para os orixás, é necessário compreender se você pode fazer. É recomendado que seja realizado sob a orientação de um dirigente espiritual! Pois alguns orixás têm quizilas, e devemos saber o que se pode e não fazer. Por exemplo, não colocamos mel para Oxóssi ou dendê para Oxalá.

O que são quizilas de orixás?

São elementos, alimentos ou atos contrários às forças positivas do orixá.

Para te ajudar a compreender como realizar os agrados, listamos alguns orixás e quais são as principais oferendas que são realizadas para agradar a eles. Confira!

Oxalá

Canjica com canela.

Orixá conhecido como o pai de todos os adeptos do candomblé e da umbanda.

Para realizar uma oferenda aos orixás funfuns (funfuns são os orixás primordiais, os primeiros orixás que foram criados por Olorum/Olodumaré), o agrado mais comum é a canjica branca, cozida e oferecida em uma tigela de louça com uma vela branca acesa. Basta cozinhar a canjica em panela de pressão. Para oferecer um agrado a esse orixá, é necessário manter sempre os pensamentos positivos, evitando pedir coisas negativas ou ter pensamentos negativos.

Orixás funfuns são capazes de oferecer paz, harmonia e também equilibro para aqueles que necessitam. No entanto, para reforçar isso, há necessidade de agradar-lhes, o que pode ser feito por meio de oferendas. Não existe uma finalidade específica ao oferecer comida ao orixá, mas devemos sempre pedir apenas o bem, nunca o mal. E, como os orixás funfuns são muito ligados à pureza, também não devemos pedir coisas envolvendo relacionamentos amorosos.

Oxum

Omolocum.

A rainha das águas doces tem seu ponto de força nas cachoeiras e nos rios. É considerada por muitos a deusa do ouro, por trazer a energia que nos auxilia a buscar a riqueza espiritual e prosperidade na vida terrena. É um orixá que também intercede em situações de fertilidade e gravidez.

Sua oferenda mais conhecida é o omolocum, feito com feijão fradinho cozido, ovos, cebola e camarão seco.

A cor desse orixá é o amarelo, podendo essa oferenda ser feita em uma tigela de louça com uma vela acesa da cor amarela.

Oxóssi

Vela verde.

Oxóssi é conhecido como o orixá caçador; sendo assim, a sua imagem é quase sempre representada de arco e flecha na mão, sendo um dos principais orixás.

Seu ponto de força e de energia é na natureza, divindade ligada às matas, à fartura e à prosperidade. Oxóssi é um orixá muito procurado para trazer bênçãos de trabalho e abundância, pois ele é defensor daqueles que lutam para trazer provisão a suas vidas e boas condições de viver. Não se pede a Oxóssi muito ouro ou riquezas, mas sim o necessário para se viver.

Sua oferenda mais conhecida é o axoxô, agrado feito com milho de canjica amarelo (milho-vermelho) cozido e 1 coco seco. Tudo é ofertado em um alguidar de barro. Pode-se acender uma vela azul-clara ou verde.

Xangô

Velas brancas.

Orixá da justiça, do fogo, dos raios e trovões, Xangô é conhecido por ter sido o rei de Oió. Em suas representações, usa sempre uma coroa. Seus símbolos principais são a balança e o machado de dois gumes. É uma divindade que não tolera injustiças, portanto, em seus agrados, não se deve pedir nada de negativo.

Xangô é muito procurado para ajudar em questões de emprego, de causas na justiça e para pedidos de proteção.

Sua oferenda mais conhecida é o amalá, feito com quiabos, azeite de dendê, cebola e camarão seco. É ofertado em uma gamela, e pode-se acender uma vela branca, marrom ou branca e vermelha.

Iemanjá

Arroz doce com calda vermelha.

A rainha do mar, conhecida por ser a grande mãe – mãe de todos os oris (cabeças) e de vários orixás. Iemanjá carrega um abebé e uma adaga (espada), já que, no candomblé, ela tem também diferentes qualidades: além de mãe, é uma grande guerreira.

É um orixá que tem seu ponto de força nos mares.

Suas oferendas são acompanhadas de pedidos relacionados com diferentes situações, pois Iemanjá é conhecida por ser a mãe que escuta a todos e é compreensiva com seus filhos.

Suas oferendas mais comuns são a canjica branca cozida, ofertada em uma tigela branca de louça. O manjar, sobre o qual se usa uma rosa branca como enfeite, é ofertado em um prato branco com uma vela branca acesa ao lado. Outra forma de agrado são as flores, como as palmas brancas, ofertadas no mar. A vela a se acender para Iemanjá pode ser branca ou azul-clara.

Omolu/Obaluaê

Pote de pipoca.

Omolu é conhecido como o orixá da cura, orixá que rege a morte, responsável pelo desencarne espiritual, que seria o momento da passagem do plano material para o plano espiritual. É um orixá bastante procurado para auxiliar pessoas que sofrem com doenças graves e que têm problemas recorrentes de saúde.

Alguns terreiros consideram Omolu e Obaluaê a mesma entidade, mas em estágios ou energias diferentes. Sendo assim, Obaluaê seria a qualidade jovem do orixá, e Omolu seria o mais velho.

Sua oferenda mais conhecida é o deburu, que é o milho de pipoca estourado em uma panela –em alguns lugares, com dendê, e em outros, com areia. Se feito na areia, é necessário peneirar a areia da pipoca quando estiver pronta, pois a pipoca é colocada em um alguidar e enfeitada com pedaços pequenos de coco. Sua vela pode ser branca ou marrom.

Ogum

Inhame.

Orixá guerreiro, conhecido como o orixá do ferro, da guerra e protetor dos caminhos.

Ogum é conhecido por lutar e não desistir em suas batalhas. O orixá produziu suas próprias ferramentas de guerra e de trabalho, sendo, por isso, grande protetor dos trabalhadores braçais e ferreiros. É também o patrono dos militares.

Em suas representações nos terreiros e imagens, esse orixá carrega uma adaga (espada) e um escudo.

Ogum é muito procurado para realizar pedidos para abrir caminhos, conseguir emprego e trazer proteção.

Para realizar uma oferenda a Ogum, o agrado mais conhecido é o "paliteiro de Ogum". E, para o preparo, é comum utilizar um cará (ou inhame) cozido e 7 palitos grandes. É ofertado em um alguidar, e pode-se acender uma vela azul-escura.

Iansã

Acarajés.

Rainha das tempestades, dos raios, dasventanias e do fogo, Iansã é guerreira, orixá que vai à luta e é muito forte. Ela tem em seu simbolismo a coragem, a força para lutar por seus objetivos sem pestanejar, possui a força dos ventos e dos raios. Divindade também responsável por conduzir os espíritos após a passagem para o mundo espiritual (pós-morte), Iansã carrega uma adaga (espada) e um eruexim.

Sua oferenda mais conhecida é o acarajé, feito com um bolinho de feijão -fradinho frito no azeite de dendê. Pode-se acender uma vela vermelha ou marrom.

Nanã Buruquê

Vela roxa.

Nanâ Buruquê, um orixá ancião, de grande sabedoria, é a mais antiga das yabás. Ela se apresenta como um orixá mais velho e tem sua sabedoria construída através do tempo e da ancestralidade. Nanã tem seu ponto de força e de energia de axé nos pântanos, na lama – por meio do barro, pôde gerar a vida para o mundo. Essa divindade tem grande ligação com a vida e o nascimento. Em sua representação, Nanã carrega um ibiri (elemento que traz a sua conexão com os espíritos ancestrais).

Você também pode gostar:

Sua oferenda mais conhecida é o efó, em que alguns dos ingredientes utilizados são a folha de língua-de-vaca, cebola, camarão e azeite de dendê. Pode-se acender uma vela roxa.

Uma oferenda pode não funcionar?

As oferendas têm formas diferentes de serem intencionadas. Muitas pessoas têm a fé de que as ofertas de agrados devem ser somente realizadas em caso de necessidade. Mas, na verdade, também servem para fazer agradecimentos ou reforçar a fé de quem crê nos orixás. Um pedido feito na realização de uma oferenda não é garantia de que vá acontecer, pois pode-se pedir qualquer coisa aos orixás, mas não se sabe se aquilo está realmente em seus caminhos ou se é possível de se realizar.

Como saber se o orixá aceitou minha oferenda?

Observe se a vela se apaga muitas vezes ou “chora” muito: são indicativos de que seu pedido pode não ser aceito ou tem dificuldades para acontecer. Um jogo de búzios pode também indicar se o orixá aceitou a sua oferenda. Os sonhos também podem ser reveladores, trazendo alguma resposta de que a oferenda e o pedido foram ou não aceitos.

A oferenda pode demorar para acontecer?

Sim, pois o tempo da espiritualidade e dos orixás é relativamente diferente do nosso. Não há tempo estipulado para que um pedido feito em uma oferenda seja realizado.

Dicas valiosas para realizar suas oferendas

Aconselha-se que você procure a orientação de alguém que compreenda mais sobre os orixás e oferendas.

Procure um local adequado para ofertar, como, por exemplo, um terreiro.

Faça sempre a oferenda com boas intenções e com os pensamentos positivos. Evite ingerir bebidas alcoólicas ou fumar antes de realizá-la.

É bastante recomendado que você busque conhecimento e também o auxílio de um dirigente espiritual caso queira fazer as oferendas, pois, sob a orientação desse dirigente, você poderá compreender a maneira correta de realizar esse processo.