Compartilhar

por Andrea Pavlovitsch

Gratidão: Você já agradeceu hoje?

Estava hoje no shopping. Depois de ensaiar o espetáculo de dança que eu vou participar pela primeira vez em mais de 20 anos. Com meu afilhado de 1 ano e 2 meses no colo, me fazendo carinho enquanto esperava a foto com o Papai Noel ficar pronta. Olhei para cima e vi uma magnífica decoração de natal: uma árvore imensa, cheia de ursinhos de pelúcia, luzes e cores. Ao fundo estava um shopping lindo, tudo clean, tudo perfeito. Pensei, por alguns segundos, naquele momento. Eu tinha acabado de almoçar com a família toda, todos reunidos. Minha outra irmã está grávida. Eu estou com 15 quilos a menos. Sim, tenho problemas, mas naquele momento, naquele instante eu só conseguia me sentir grata.

A primeira vez que prestei atenção de verdade nisso foi observando o Instagram da Luava Piovanni. Sou destas que gosta dela, do jeito grosso mas autentico que ela leva a vida. Em quase todas as fotos que ela coloca com a família, ou em atividades que gosta ela coloca a hastag gratidão. Achei aquilo interessante. Depois, vendo uma entrevista dela na TV, a repórter perguntou sobre isso. Ela disse que coloca porque é como se sente com aqueles pequenos momentos: o filho jogando bola, o marido dormindo com os seus bebês, a casa nova dela. Sente-se grata. Mas não “obrigada”.

Apesar de eu ser bem-educada e dizer muito “obrigada”, a palavra não é nada boa. Parece que você está sendo obrigada a alguma coisa. Não é esse o sentido de gratidão. Gratidão, para mim, é estar no momento presente. É perceber as pequenas dádivas da vida em pequenas coisas e instantes. É ter um foco no bem, nas coisas boas, nos aprendizados das situações ruins. É se analisar profundamente e entender que cada pequeno é único momento, é um recorte da realidade que jamais acontecerá de novo. Um afilhado de 1 ano e dois meses acariciando o seu rosto não acontece todos os dias. Mas só ligamos para os dias em que “coisas grandes” acontecem.

E aí a vida é bem frustrante, porque coisas “grandes” acontecem pouco. Quantos “casamentos” você pode ter (e se você for a Gretchen lendo esse texto, desconsidere). Quantos dias de formatura, quantos nascimentos de seus filhos. Mesmo que você seja da turma da dezena de crianças (o que é bem difícil), ainda assim cada nascimento será único. Mas os pequenos momentos, as verdadeiras riquezas, vem aos montes. Aquela visão de que está tudo certo, tudo bem. E que tudo está em seu devido lugar mesmo que você ainda queira muitas coisas da sua vida. É a visão, e não a situação. Eu não estava olhando uma árvore caríssima que eu coloquei em casa. Estava observando uma decoração de um shopping, pública, feita para todos.

Então, ser grato é atrair mais e mais prosperidade para a sua vida. Quando somos gratos, geramos uma energia de amor e paz que vai voltar imediatamente para nós. No mínimo, prestaremos mais atenção às coisas boas que temos. E vamos parar de repetir o mantra “eu era feliz e não sabia” pelo “eu sou feliz, sei disso e sou muito grata”.

Compartilhar

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.