por Leandro José Severgnini

Gratidão e perdão - atos de nobreza

Um dos assuntos mais difíceis de serem tratados é o orgulho humano. Digo difícil, pois o ego nos ilude de diversas formas e quando começamos a acordar para esta realidade, podemos ter a falsa sensação de que estamos perdendo algo; é o nosso ego nos estimulando a permanecer exatamente onde estamos – “os outros que mudem, nós não temos o que mudar”! Mas não é bem assim.

Nós estamos aqui por um motivo, por um propósito, algo que provavelmente não coincide com os nossos falsos objetivos materiais, que normalmente colocamos no topo da pirâmide de prioridades. Mas conforme o dito popular, acabamos "trocando os pés pelas mãos" e julgamos erroneamente que a prioridade maior é o material e, o espiritual damos atenção se sobrar tempo. Mas é importante lembrarmos sempre que é no espiritual que residem as causas para a nossa realidade material. Qual é a sua realidade material: Frustração? Descontentamento? Pobreza? Riqueza? Saúde? Doença? Jamais podemos perder de vista que a realidade externa é apenas um reflexo da nossa realidade interna, ou seja, todas as dificuldades materiais que encontramos são causadas por desequilíbrios internos - é a Lei do Karma. Mas neste momento, vamos dar foco à saúde!

A psicóloga norte americana Louise Hay fez importantes descobertas quanto à causa emocional de diversas doenças. Em seus livros "Cure a sua vida" e "Você pode curar a sua vida", ela relata que em sua experiência como terapeuta ela teve a oportunidade de constatar que, conforme seus pacientes curavam-se de padrões emocionais desequilibrados, a saúde física voltava a prosperar. Hay conta, inclusive, que conseguiu curar-se de um câncer mudando padrões emocionais. Como ela fez isso? É fácil deduzir que o primeiro passo é o reconhecimento, ou seja, ter a humildade suficiente para reconhecer o meu modo de agir e quais aspectos estão me trazendo desequilíbrio. Sabendo que os desequilíbrios emocionais, cedo ou tarde vão se manifestar em desequilíbrios orgânicos, então é hora de arregaçar as mangas e mudar aquilo que precisa ser mudado.

Encontre o seu equílibrio vital. Seja grato por aquilo que possui. 

É evidente que a nossa forma de Ser é algo complexo e, às vezes, podemos levar uma vida inteira para fazermos uma mudança significativa em nossa conduta, mas precisa ser feito e precisamos começar de alguma forma. A minha sugestão é que comecemos pelo perdão, pois creio que a falta dele é um dos maiores causadores de enfermidades físicas. A mágoa, infelizmente, é algo difícil de combater, principalmente pela nossa resistência em admitir que a tenhamos. Decepção, desavença ideológica, ressentimento, desconfiança, etc., essas são apenas algumas formas de mágoa, porém, em todas elas o efeito é algo devastador. Não é à toa que Emmanuel dizia que "segurar mágoas de alguém é o mesmo que tomar veneno e esperar que o outro morra". 

Então como perdoar? Afinal, o que é o perdão? Perdoar é simplesmente esquecer? Perdoar é mostrar um sorriso, mas se corroer por dentro? Em minha opinião, a forma mais segura de perdoar é desenvolver o sentimento de gratidão pelo ofensor. Por quê? Pense comigo: Em termos de evolução espiritual, sabemos que precisamos desenvolver uma série de atributos morais para nos aperfeiçoarmos como espírito e, um desses atributos é o amor incondicional. 

Ora, como podemos chegar ao amor incondicional se guardamos algum tipo de ressentimento? Como podemos seguir a orientação de Jesus e "amar os nossos inimigos"? O primeiro passo é sermos gratos a eles e por um motivo muito simples: É que precisamos entender que o ofensor não é nenhum vilão que nos fez algum mal, muito pelo contrário, ele fez algo extremamente positivo, pois (mesmo que inconscientemente) ele nos mostrou exatamente onde precisamos melhorar e, quais as consequências se continuarmos sendo como somos. Basta abrirmos os nossos olhos e vermos que o ofensor só existe porque existe o ofendido, caso contrário, quem seria o ofensor? É por isso que precisamos ser gratos a quem nos ofender ou causar algum prejuízo, pois é um sinal de alerta de que ainda não desenvolvemos o amor incondicional em nosso íntimo.

É por isso que considero a gratidão o mais nobre dos sentimentos, pois somente alguém sábio é capaz de agradecer pelas dificuldades e dores, sejam elas quais forem. O sábio entende que ele chegou aonde chegou graças às dificuldades. Ninguém cresce se não por meio dos desafios. Portanto, agradecemos aos desafios e as dores e, claro, quem as causou, pois sem estes nós não teríamos aprendido tanto!

Leandro José Severgnini

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Palestrante e escritor. Autor dos livros intitulados Dias de Luta, Dias de Glória e Liberdade - Nada Menos Que Tudo.