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por Andrea Pavlovitsch

Sua palavra vale ouro

Outro dia presenciei uma discussão amorosa. Ela pedia desculpas a ele. Ele não sabia se aceitava ou não. Não era nada muito grave o que ela tinha feito e ela explicou o porquê. Ele não pareceu querer realmente perdoar.

Dias depois ela me chamou: acha que eu devo mandar flores, para pedir desculpas? E perguntei: mas você já não pediu? Sim, mas ele não responde. Então vou pedir de novo com as flores. Espera aí, muita calma nessa hora.

Nós aprendemos a nos justificar e principalmente a pedir desculpas para o mundo apenas por existirmos, o tempo todo. Sim, houve um erro, mas algo que nem era tão grave e que já havia um pedido. Se o outro não topou ou pelo menos não deixou isso claro, aí é outra história. Se não quer perdoar ou se está só usando o desespero dela para manter o controle, não sabemos. Mas se as desculpas foram pedidas, foram pedidas e acabou.

Aconselhei que ela não mandasse mais nada. Nem flores, nem mensagens. Afinal de contas, cada coisa que ela fizesse para reforçar o que ela já tinha falado, só tiraria a força do seu pedido de desculpas. Se alguém pede desculpas demais, eu começo a duvidar se devo ou não desculpar. Se alguém precisa repetir demais algo, passa a impressão de que não está tão convicto e que não tem muita certeza do que está fazendo. Pior, passa a imagem de fraco, de sem poder ou sem palavra.

Sua palavra precisa ser firme. Se pediu um aumento, seja certeiro no porquê daquele aumento. Não adianta dizer que nasceu o seu terceiro filho ou que comprou uma casa maior e precisa de mais dinheiro. Seja claro com o que contribuiu com a empresa nos últimos tempos e como tem dedicado tempo e esforço para isso. Mas fale uma vez, não precisa ficar repetindo.

Seja claro e direto em sua comunicação. Algumas coisas precisam ser colocadas de maneira clara. Num mundo de extremos, precisamos sim de doçura, mas também de verdade. Quanto mais diretos e quanto menos nós ficarmos dando voltas, melhor para a nossa saúde mental.

O respeito do outro é algo que precisamos conquistar. E a primeira coisa é que consigamos respeitar nós mesmos e respeitar aquilo que decidimos ser ou fazer. Não volte atrás e não jogue palavras ao vento. Isso pode sair muito caro a longo prazo, principalmente nos relacionamentos amorosos. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.