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por Hellen Reis Mourao

Afrodite, o arquétipo do amor

Afrodite é a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade. A mais bela e a mais irresistível de todas as deusas gregas.

De acordo com a Teogonia, de Hesíodo, ela nasceu quando Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mar; da espuma surgida ergueu-se Afrodite.

Conforme Junito Brandão em Mitologia Grega, vol I, Afrodite seria uma divindade obviamente importada do Oriente. Uma forma grega da deusa semítica da fecundidade e das águas fertilizantes, Astarté.

Em outras fontes, como a Ilíada, Afrodite seria filha de Zeus e Dione, levando o título de Dionéia.
Devido a essa dupla origem da deusa houve uma diferenciação da mesma, estabelecendo dois títulos a ela. A Afrodite Urânia e Pandêmia.

Pandêmia seria a inspiradora dos amores comuns, vulgares, carnais, ou seja, dos desejos incontroláveis, e a Urânia, a inspiradora de um amor etéreo, superior, imaterial, através do qual se atinge o amor supremo.

Afrodite teve diversos amantes, tanto deuses como Ares e Hermes, quanto mortais como Anquises. A deusa também foi de importância crucial para a lenda de Eros e Psique.

Também foi descrita em relatos posteriores, como amante de Adônis e também como sua mãe adotiva. Enéias, Hermafrodito e Priapo também são seus filhos.

Afrodite era a deusa responsável por levar deuses e mortais a se apaixonarem. Sendo essas paixões destrutivas ou criadoras de nova vida.

Sendo uma deusa tipicamente oriental, nunca se encaixou bem no mito grego: parecia uma estranha no ninho!

Por isso é tida como deusa alquímica, diferentemente das outras deusas que podem ser divididas em dois grupos: as virgens (Artemis, Atena e Héstia) e as vulneráveis (Hera, Deméter e Perséfone). Afrodite é ao mesmo tempo vulnerável (devido ao fato de ter tido relacionamentos) e virgem (pois nunca se deixou ludibriar, nem dominar por ninguém), e também não é nenhuma delas.

Trata-se de um arquétipo difícil em uma sociedade patriarcal, pois Afrodite é o arquétipo da mulher que escolhe com quem se relacionar, da mulher que conhece e aceita o seu desejo, sua sexualidade e que não se deixa dominar. É a mulher que conhece e aceita seu corpo como ele é.

Símbolo da intensidade dos relaciopanamentos, mas não necessariamente da permanência.

Arquétipo do amor, da beleza, da atração erótica, da sensualidade, da sexualidade e da vida nova. Ela também é a “química” entre os amantes, a que gera aquele desejo irresistível.

Afrodite Pandêmia é o amor carnal, o desejo sexual puro e simples. Visando a satisfação dos desejos e a procriação.

Já Afrodite Urânia representa o arquétipo do amor que transforma. Simbolizando a importância das relações no sentido de processo criativo. Arquétipo da intimidade física não apenas no sentido sexual, mas na representação de uma necessidade psicológica e espiritual.

Arquétipo, portanto, da paixão por alguém ou algo, gerando um processo criativo na psique, do qual pode emergir algo novo. Amor desligado da beleza do corpo, mas da beleza da alma, levando a criação do legado que cada indivíduo irá deixar no mundo.

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Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.