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por Lilian Evangelista

As marés da vida

Às vezes ocorrem algumas coisas na vida da gente, e nos perguntamos: Por que acontecem?

Um fato desencadeia uma reação e o resultado nos coloca de cara com sentimentos que nos surpreendem pela nossa incapacidade de lidar com eles. Um namoro desfeito, um trabalho que não surgiu, uma decepção, algo que esperávamos que se resolvesse mas não se resolveu, ou algo que esperávamos de alguém – temos a mania de sempre esperar muito do outro, como se o próximo fosse obrigado a viver segundo as nossas regras – então nos frustramos, e essa frustração é uma coisa a mais para carregarmos em nossa já tão pesada bagagem. 

Como dizia Mário Quintana:

"As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, e nem nós estamos para satisfazer as delas"

Estendo para além de pessoas, a própria vida nossa de cada dia. Vivemos de expectativas. Estamos sempre esperando alguma coisa, e quando ela não se realiza, não nos damos a chance de relaxar e pensar: “Amanhã é outro dia e eu não sei o que ele guarda para mim”.

A vida nossa de cada dia, pode ter seu próprio rumo, e ela pode gostar de surpreender. Infeliz de quem não gosta de surpresas. De quem quer tudo sob controle.

Lembrei-me agora do filme “Náufrago” com Tom Hanks, onde ele vive a personagem de um inspetor da Federal Express (FedEx), um perfil controlador, que por conta de um acidente aéreo se vê preso em uma ilha por quatro anos, sem ter como controlar mais nada, nem mesmo o direito de tirar a própria vida. Mas a vida o surpreende trazendo com a maré, aquilo que o leva novamente para a civilização.

Então, eu penso que quando as circunstâncias não forem exatamente como imaginávamos que seria, ou quando acontecerem episódios que nos tirem do nosso mundo, e tudo for estranho para nós, com sentimentos que não estamos preparados para lidar, um deserto ou uma ilha é um bom lugar para estarmos. 

Não sabemos o que a maré nos trará, mas pode ser uma grande surpresa. Daquelas de arrancar lágrimas, de despertar um bom e gostoso sorriso, daquelas que chegam sem dar o menor sinal de que estão vindo… Essa são as melhores.

Ou pode ser que não aconteça nada, mas mesmo assim nada estará perdido. O tempo passará, e as respostas virão, sem tantas ilusões,  em um prato recheado de maturidade. Porque sofrer ou chorar também é vencer e aprender.

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Lilian Evangelista

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Escritora de coração. Casada, mãe de dois filhos. Um livro publicado no ano de 2014 "Entre anjos e flores" pela Editora Virtual Ânema. Atualmente escrevo em meu blog pessoal. "Descobri que as palavras são a minha revelação,e permitem que eu seja essa pessoa que se constrói e se desfaz, pois a cada nova palavra, um novo pensamento."