por Erickson Rosa

Como trabalhar o desapego em épocas do “TER”

Provavelmente você já ouviu aquela máxima: “É preciso ser antes do ter”. Entretanto, na prática, essa nem sempre é uma realidade. Cada vez mais as pessoas são julgadas ou pesadas por suas posses, posição social e status. É como um jogo onde acredita-se que a felicidade será alcançada através de uma posição social, ou então de bens adquiridos. Como se a felicidade não fosse algo natural em nossa existência. Como se fosse algo externo que temos que buscar. 

Se pensarmos que precisamos ter as coisas que hoje se apresentam em nossa realidade, podemos pensar que todas as pessoas no passado eram infelizes, mas isso não é verdade. Precisamos então trabalhar o desapego. Para trabalharmos o desapego, precisamos primeiro entender como o apego às situações, pessoas e objetos se desenvolve em nosso interior, e como acabamos criando prisões em nossa mente, sem perceber. Depois disso, precisamos desenvolver uma visão da impermanência e por fim soltarmos aquilo ao qual estamos presos.

Como geramos apego 

O apego brota do desejo de alcançarmos determinada situação, acreditando que isso nos trará mais conforto e felicidade. A pessoa se engana e começa a correr atrás de situações que acredita ser mais favorável e que tais eventos trarão felicidade. A aquisição de adereços e coisas até faz com que nos sintamos bem por determinado tempo, porém a sensação dura pouco. É como adquirir um carro novo. Ao comprá-lo, sentir-se-á muito bem e com uma sensação de conquista. Mas com o passar do tempo, começará a pensar que precisa de um carro novo, um melhor, um mais moderno... Sem perceber, entramos em um jogo de aquisições e de conquistas, sem notar que com isso nos apegamos naquilo que conquistamos e até mesmo em nossos desejos. Se NÃO alcançamos os nossos desejos, ficamos tristes e nos sentimos incapazes e isso produz sofrimento. Agora, se alcançamos os objetivos que desejamos, então entramos em uma luta constante para mantê-los e se um dia algo mudar, entramos em sofrimento.

A visão que nos falta: Impermanência 

Não estou dizendo com este texto que não devemos ter as coisas, mas sim que não precisamos sofrer com a falta delas. Temos que compreender que nada neste mundo nos pertence de fato. Todas as coisas estão em movimento e elas atuam de maneira inconstante. Se compreendermos que a impermanência atua em nossa realidade de maneira constante, não sofreremos quando as coisas mudarem. Precisamos desenvolver a consciência de que o mundo não é sólido, mas mutável, dessa forma, não precisamos sofrer com as situações, pois todas elas são passageiras.

Solte a situação, pois nada permanece para sempre! 

Desapegar-se é também abrir a porta para o novo, para aquilo que está por vir. Enquanto você se agarra às coisas, você não dá possiblidade para que o novo se manifeste em sua vida e assim pode se apegar até mesmo em situações que acabam por lhe trazer sofrimento. Liberte-se! Você não precisa viver dessa maneira. Você pode reconhecer a felicidade que está dentro de você e que é um estado natural de sua essência. Uma criança não precisa de grandes situações para sorrir que não seja o sorriso e o carinho de outra pessoa. Se condicionamos a nossa felicidade aos objetos, também podemos ser felizes sem condicionamentos, afinal, a felicidade está em nós e não nos objetos. 

Erickson Rosa

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Terapeuta holístico, Mestre Reikiano e formado em psicoterapia holística. Fundador do Coach Matinal e autor do e-book Ansiedade Sem Remédios. Ministra cursos e eventos com temas como a motivação, psicossomática, fisiognomonia e meditação.