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por Andrea Pavlovitsch

Eu escolho: não quero filhos

Sou uma mulher bonita e saudável, que conta com 42 anos de idade. Ainda estou longe da menopausa, segundo a minha médica, a Dra. Eneida, e estou em um relacionamento estável e feliz. Tenho casa própria, uma profissão interessante e sou muito amorosa e emocionalmente estável. Sim, tudo isso foi conquistado a duras penas, é verdade, mas no momento o quadro é esse. 

Já falei que não queria filhos aos 32 anos. Aos 26, tive uma epifania, queria porque queria e só não aconteceu porque não estava namorando ou casada. Depois, descobri que o meu desejo era mais por cuidar e resgatar a mim mesma, do que a outro ser humano. 

Aos 32 decidi. Não é para mim. É libertador quando tem uma bomba relógio na sua cabeça, que pode explodir a qualquer momento, o tal relógio biológico. Passei bons anos felizes, mas perto dos 40, e com o nascimento da minha terceira sobrinha, a vontade voltou. Voltou a vontade, eu me pergunto, ou o desejo de uma família? Sim, eu tenho uma família, mas ela não conta com crianças, pelo menos não minhas. Ela conta com uma cadelinha que em breve, eu espero, vai virar duas. 

Meu namorado tem três filhos de relacionamentos anteriores e está feliz assim. Ele teria, se eu quisesse. Insistiu que isso me faria feliz e eu só conseguia responder: mas eu já sou feliz. 

Eu adoro crianças. E adoro famílias com crianças. Tenho, como eu disse, três sobrinhos lindos, me desdobro em 20 por eles, faço qualquer coisa. Mas não são a minha responsabilidade direta. A realidade é que aprendi que amor não é magia. Muitas mulheres sofrem com coisas como o “arrependimento tardio”, quando têm filhos, mas não queriam, e sofrem por ter tido filhos mesmo que não tivesse sido uma decisão delas. Cuidam, são excelentes mães, mas se tivessem a chance de voltar, teriam tomado decisões diferentes. E tudo bem. 

 

Precisamos parar de achar que amor se compra na padaria. Amor é algo construído e, tenho certeza, algumas mães vão discordar. Possivelmente aquelas mães que nasceram para ser mães e veem na maternidade, não só uma criança, mas uma realização. Eu nunca seria uma mulher realizada tendo filhos. Outras coisas me preenchem mais e não tenho vergonha de dizer isso. E não quero que nenhuma mulher no mundo deixe de ter filhos porque prefere trabalhar ou viajar. Por favor, se esse é o seu desejo, satisfaça-o o quanto antes. Não deixe a maternidade para depois que seus ovários pararam de funcionar pela idade. Tenha agora! Vivamos as experiências que queremos sem precisar que tudo seja absolutamente perfeito. 

A mulher tem o direito de decidir o seu destino sem que os homens, ou outras mulheres, digam a ela que ela é egoísta ou vai se arrepender. Sim, eu posso me arrepender aos 50 de não ter tido – apesar de achar difícil já que essa decisão é antiga e foi pensada à exaustão. Mas também não vou arriscar ter para não me arrepender e gerar o mesmo resultado. 

Vamos parar de mexer na cumbuca alheia e tratar dos nossos próprios problemas e decisões. Acredito que não ter filhos não é mais o tabu que já foi, mas ainda existe muito preconceito. Canso de ouvir “ela é mal-amada, tem 70 anos e nunca teve filhos” mas vou insistir na minha decisão. E sim, posso mudar de ideia amanhã cedo ou adotar com 64 anos ou qualquer coisa que eu queria. Essa é uma decisão do meu espírito e não das pessoas do Facebook. Espero que possamos, daqui pra frente, tomar as nossas próprias decisões. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.