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por Andrea Pavlovitsch

A Dama de Ferro

Esta semana eu fui ao cinema, assistir A Dama de Ferro. Duas vezes. E tenho certeza de que vou querer o DVD quando sair. Trata-se de um filme indicado ao Oscar (até onde eu sei, pelo menos pra melhor atriz) e que conta a história de vida de Margareth Thatcher, uma das mulheres mais poderosas do século XX, com toda a certeza. O filme mostra uma M., como seu marido a chama no fillme, velhinha, doente e que costuma falar com suas alucinações e se lembrar do passado o tempo todo. E mostra como uma mulher conseguir mudar a mentalidade de toda uma geração. Eu não sou crítica de cinema. E não sou crítica política. Mas tenho dois olhos e duas orelhas e vejo o que tem por aí. E analiso muito as pessoas, haja visto a minha profissão. E sei que uma nação se faz pelo seu povo.

Não são as riquezas naturais, não é o carnaval e o samba, é o caráter das pessoas. A autoestima, a autoconfiança e é isso que eu aprendi demais no filme. Ela diz muitas frases de efeito. Defende seu povo com garras de leoa e, muitas vezes, não foi compreendida por isso. Acabou deposta (será que é este o termo?), mas só depois de transformar um país numa das maiores potências mundiais. E tudo isso num pós-guerra decisivo. O que mais me impressionou foi justamente o título: Dama de Ferro. Ela recebeu este apelido por ser implacável com tudo.

Uma verdadeira lição do que eu chamo, e no filme também aparece, de firmeza. A firmeza é quando nos garantimos. É quando conseguimos defender uma ideia na qual acreditamos e não, não estamos nos importando se os outros gostam ou não disso. Isso aconteceu na carreira dela muitas vezes e na vida pessoal. Ela foi a primeira mulher a ser importante na política mundial ocidental. Ela entrava em gabinetes lotados de homens que diziam um sonoro não a cada uma de suas ideias. No final, ela consegue provar todas, uma por uma, mantendo justamente a sua firmeza. Enquanto a Inglaterra se matava lá fora, ela era firme. Foi firme quanto ao tributos pagos pelos ingleses. Pobres e ricos, segundo ela, precisam pagar tributos com a mesma porcentagem se quiserem usufruir das regalias de ser inglês.

As pessoas foram para as ruas, indignadas, procurando uma mãe amorosa que os acolhesse. Ela mandou que eles levantassem e trabalhassem, se quisessem alguma coisa. Uma mulher completamente admirável. É difícil vermos isso aqui no Brasil. Uma política decidamente paternalista, cuidando das pessoas como criancinhas, como pessoas que não são capazes de cuidar de si mesmas. Sempre dando e nunca exigindo nada. Bolsa-salário, bolsa-maternidade, bolsa-leite e mães e pais colocam mais dois ou três filhos no mundo pra garantir a aposentadoria barata e boa. E ainda tem as reclamações.

Muitas reclamações. Reclamam porque foram morar num lugar apelidado de Jardim Pantanal e lá tem enchente! Não é incrível? Por que será? Vão pra TV reclamar, chorar que perderam tudo. Mas nada fazem para sair daquela situação. Quando o governo tenta desocupar um terreno invadido, as pessoas depredam ônibus, matam e morrem, para não sair de lá. Ninguém vai pra rua, depredar ônibus, quando um político safado rouba. Mas para garantir que aquilo que fizeram de errado permaneça, aí sim. E isso não é a política, o governo. É a mentalidade. É como as pessoas pensam que a vida deveria ser ( e sim, isso inclue a mentalidade dos políticos muitas vezes). Um pai e uma mãe amorosa (governo), que dá tudo e não exige nada. Que paga suas contas, seus impostos.

No filme, M. fala, em determinado momento, que quando não se paga nada, não se dá valor ao que se tem. Quando não se paga um imposto, não interessa onde colocará seu lixo, é isso mesmo! Para que uma pessoa que não paga o lixeiro, o gari, e tudo mais, vai se preocupar, se tem um trouxa lá pra pegar o lixo deles, a sujeira deles? Para que se eu sou um bebê sendo cuidado? O que fazem os bebês? Caquinhas que os adultos limpam!

E assim se criou uma geração de brasileiros-bebês, preocupados em balançar a bunda num carnaval que para o país por 2 meses, que gasta mais de 2 BILHÕES em verbas que poderiam estar alimentando crianças carentes ou dando escola e oportunidade para elas, mas que só faz medidas populistas para ganhar as próximas eleições, manter-se no poder e continuar mamando. Porque também são bebês chorões alimentados pela grande mãe, pátria amada, Brasil.

Enquanto essa mentalidade não mudar, não muda nada. E cabe a cada um de nós, eu, você, seu vizinho, mudar um pouco em si e conseguir seguir uma consciência do todo melhor. Não adianta só criticar, é preciso fazer algo de dentro para fora. O que adianta eu criticar e, na primeira oportunidade, pendurar minhas chuteiras numa aposentadoria falsa do INSS? O que adianta eu criticar e mandar meu lixo pela janela? Ou reclamar quando chega a conta de luz, uma luz que eu usei, muito bem usada!

Assistir o filme abriu para mim um mundo de possibilidades. De que devemos ser firmes conosco, nos tratarmos com carinho e respeito, mas saber que fazemos parte de um todo, que precisa da nossa ajuda. Não só pintar a cara para aparecer na TV, mas tirar as máscaras para ajudar a fazer um país no qual, de fato, as injustiças sociais sejam eliminadas. Injustiças? Não sei, este é tema para outro artigo.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.