por Andrea Pavlovitsch

Luto, dor e perda

E um dia se vai. Tem que ir. Uns vão cedo, outros mais tarde. Alguns têm o direito de não sentirem dor. Alguns precisam dela, mesmo sem saber porquê. Alguns deixam uma saudade na gente; uma coisinha branca e vazia no fundo do coração que nada, nunca, vai preencher. Alguns causam revolta, causam espanto. Assuntam a gente no meio da noite.

Tiram o sono. Despertam a tristeza que há muito carregamos. Porque somos humanos, limitados, e não entendemos. Não compreendemos o porquê de algumas coisas. Não compreendemos a atitude humana. Não compreendemos a nós mesmos, nem ao próximo. 

Talvez precisemos disso. Precisamos nos deparar com o fim. Das coisas, das pessoas, das histórias. Mas ainda assim, humanos, sentimos saudades. Choramos. Não pelo que se foi, mas pelos que ficam. Pelos irmãos, pais, mães. Pelas famílias, pelos amigos, pelas tarefas deixadas pela metade. 

E não são metades. As histórias são inteiras, mas não acabam quando achamos que devem acabar. Acabam quando a vida decide isso. E tudo o que precisamos fazer é confiar. Confiar de que tudo está certo. Confiar que a nossa dor e a nossa perda vai fazer com que as coisas se encaixem. Um dia, em algum momento, talvez quando a nossa própria morte chegar, vamos entender. Precisamos acreditar que vamos.

Perder não é fácil. É tarefa para poucos. É preciso saber perder. Saber deixar ir embora. Simplesmente tomar um banho de chuva e deixar com que tudo vá embora. Adeus também foi feito para se dizer. Mas dói como poucas coisas na vida.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.