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por Erickson Rosa

A sabedoria interior e a ofuscação da mente

Segundo a tradição budista, todos nós possuímos uma mente iluminada que nos é natural. Muitas outras tradições falam sobre o eu superior e a sabedoria interna que já possuímos. Tomando isso como verdade, porque então ainda sofremos com situações e problemas do cotidiano? Por que mesmo com todo potencial dessa sabedoria ainda esbarramos em problemas que nos tiram a felicidade e geram o sofrimento?

Há uma resposta sobre isso e essa resposta é a ofuscação da mente. Mas antes de entrar nessa ofuscação, quero explicar o que gera o sofrimento e a ofuscação da mente. De maneira geral fixamos a nossa mente em situações e nos movemos através da busca pelas coisas. Funciona mais ou menos assim: primeiro acreditamos que é possível ser feliz, depois olhamos as pessoas em nossa volta e observamos o que essas pessoas têm. Cremos que essa pessoa é feliz por possuir tais coisas e acreditamos que se reunirmos as condições para isso, seremos felizes também. Assim passamos a vida depositando a nossa felicidade em construirmos a vida ideal.

Dessa forma, corremos para criar as condições de felicidade. Queremos mais dinheiro, uma casa maior, um carro novo. Nessa correria não notamos que a felicidade é uma sensação, uma energia específica que brota em nosso interior. Podemos pensar que a felicidade vem da compra de um imóvel ou de um carro novo, mas após a conquista desse objeto ela passa rapidamente e logo nos vemos indo atrás de um novo estímulo. É como comer chocolate. Ao comer, a pessoa se sente muito bem, mas experimente comer durante 7 horas 7 dias na semana. Com certeza deixará de ser agradável.

Contudo, não nos perguntamos de onde vem a energia que nos provoca a felicidade quando compramos algo novo. Se o sentimento de felicidade se esvai com o passar do tempo é óbvio que ele não estava no objeto, mas dentro de nós. Nesse caso, se podemos gerar a felicidade condicionada aos objetos, também podemos gerar essa felicidade livre de condicionantes. A felicidade brota de nossa energia e não dos objetos. Por exemplo, quando olhamos a foto de um lugar paradisíaco e nos sentimos bem e desejamos estar lá, temos a sensação que seremos muito felizes naquele lugar. Essa sensação, essa energia está na foto ou na pessoa que projeta essa energia e sensação na foto?

Sua mente coloca condicionantes para sua felicidade e logo se vê correndo para construir as situações ideais para que a felicidade seja alcançada. Contudo a pessoa não nota que a felicidade é gerada a partir de uma posição de sua mente. Essa fixação nos objetos não permite que a pessoa veja sua própria sabedoria e isso é uma ofuscação da mente.

Realmente possuímos uma sabedoria, mas ocupamos tanto a nossa mente com nossos objetivos que não percebemos sua imensa capacidade. A mente é como uma onda, que está fixada pensando que é onde, quando na verdade é o mar. Fixamo-nos em chegar a um lugar que criamos como perfeito, sem notar que a perfeição habita em nós. A ofuscação se dá nesse sentido e para sairmos dela precisamos acalmar a mente, sair do engano Tque a nossa fixação criou. Para isso, precisamos aprender a aquietar a nossa mente, ver o fluxo dos pensamentos e entender que não somos os nossos pensamentos, não somos o que criamos, somos algo maior. Somos o mar que cria as ondas, o céu que pensa que é as nuvens. O caminho é a meditação contemplativa, que é a forma de olhar para si mesmo e compreender que você pode gerar sua felicidade, independentemente das condições que hoje se encontra. 

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.

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