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por Andrea Pavlovitsch

Onde está a sua alegria?

Minha sobrinha fez aniversário, quatro anos. E como todas as meninas da idade dela, ela é completamente doida pela princesa Elsa, do desenho da Disney Frozen. Gosto da ideia dela amar uma heroína feminista. Um dia destes, ela me disse: “Titia, quando eu crescer eu vou construir um castelo só meu, que nem a Elsa”. Essa é a minha menina.

Pois é, o que dar de aniversário para uma menina que tem uma montanha de brinquedos? Roupas, sapatos ou mais bonecas? Meus pais tiveram uma ideia e chamaram, para a festa temática dela, as duas personagens. Eram duas meninas, vestidas como a Anna e a Elsa. Elas entraram com as roupas e brincaram com as meninas a festa toda.

A expressão da minha sobrinha era a pura felicidade. Ela olhava para elas como quem encontrou o cálice sagrado. Contou toda a sua vida para a Elsa, quem eram seus pais e onde ela morava. Apresentou suas amigas, estupefatas também com a ilustre presença e, claro, mal dormiu de noite. Até hoje conta para todo mundo “A Elsa foi na minha festa”. Uma experiência incrível.

A alegria de uma criança. Isso não tem preço. É só bater os olhos que você também sente. Uma coisa gostosa, um quentinho no peito. Uma vontade louca de sorrir e nunca mais parar. Sua pele ganha um viço, os olhos brilham. Você sente que tem o maior poder do mundo e nenhum problema parece grande o suficiente para tirar você daquele estado. Isso é a verdadeira alegria.

Mas a vida nos machuca. E desde que éramos crianças já passamos por coisa demais. Já nos magoamos muito, já choramos muito. Já passamos por perdas irreparáveis, já vimos coisas horríveis. Já ficamos doentes, já sentimos muita dor. Dor emocional ou física, as duas marcam. Já nos identificamos com pessoas queridas sofrendo. E vamos perdendo essa conexão com a nossa verdadeira alegria. Aquela que sentíamos quando éramos pequenos. Com um brinquedo, com uma personagem, com uma pessoa amada.

É preciso resgatar isso dentro da gente. Não mais como crianças, mas como adultos. Talvez outras coisas nos alegrem, mas também somos capazes disso. Não estou falando daquela alegria fabricada, daqueles sonhos que compramos como nossos. Mas dos verdadeiros, daqueles que, até hoje nos tocam. Você quer deixar essa menininha ou esse menininho aí dentro feliz? Proponho um exercício:

Lembre-se de algo que te deixava assim, feliz, quando criança. Também pode ser algo que você queria muito e não teve a chance de ter ou fazer. Pode ser um brinquedo, uma brincadeira. Pode ser fazer alguma maluquice (do tipo fritar cinco quilos de batatas ou uma panelona de brigadeiro). Pode ser ir ao circo, comprar uma boneca específica ou qualquer coisa assim. Faça esse mimo para a sua criança e peça uma coisa em troca: sua alegria. Tire a cara sisuda, preocupada e coloque, no lugar, a alegria de uma criança brincando. 

Sente com seus filhos, netos, sobrinhos e brinque como antigamente. Ria, se lambuze, deixe a criança interior sair. Conecte-se com essa fonte de amor e prazer que é a sua alegria, inspire-se. Tenho certeza de que seus dias serão melhores e bem melhor aproveitados. Experimente e depois me conte. Quero saber tudo! E seja feliz de verdade. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.