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por Leandro José Severgnini

Rastros de alegria

Há algum tempo li uma reportagem sobre o poder positivo do sorriso e da alegria no tratamento da depressão. O simples movimentar dos músculos da face (responsáveis pela expressão de sorriso) tem a capacidade de ativar alguns hormônios ligados ao bem-estar e a alegria. Em contribuição a isso, a Programação Neurolinguística afirma que pensamentos e ações alegres, se nutridas adequadamente, podem moldar o comportamento humano de modo que a alegria se transforme em um hábito, podendo até curar ou evitar certas doenças.

Analisando mais profundamente a questão, creio que o estado de alegria do ser humano tornou-se quase um tabu. Infelizmente, cada vez mais estamos limitando o nosso estado de alegria a determinadas condições; se alcançar determinadas condições, poderei estar alegre, caso contrário, terei de alcançá-las primeiro. Triste erro! A alegria é um estado de espírito genuíno em toda a vida, desde plantas, animais e até no homem. Mas os grandes mestres afirmam que a tristeza só existe onde o homem interfere negativamente com o seu ego. A tristeza e a depressão só existem na raça humana ou em certos animais que foram tirados do seu habitat. Os seres que vivem a sua natureza de forma plena e desapegada não conhecem a tristeza ou a depressão. Veja os cães, gatos e pássaros, uma simples poça de água é o suficiente para verter alegria. E as crianças? Estas desconhecem o excesso de racionalidade característico do homem adulto, não precisam pensar sobre a alegria, portanto, apenas são alegres sem qualquer condição.

Precisamos mudar isso. Compreendo que passamos por situações que nos colocam nos mais variados níveis de ansiedade e insatisfação. Mas nesses momentos a capacidade de sorrir e alegrar-se se tornam de vital importância. Tudo se torna mais fácil com o sorriso. Tudo melhora quando temos a capacidade de ser alegres. A alegria é o tempero valioso que torna agradável tudo aquilo que parece ser amargo. Se não tivermos a capacidade de sorrir justamente quando mais precisamos, então quando o faremos?

Percebo que a natureza é tão sábia que, dentre todas as virtudes humanas, não existe uma única que se esgota se a dividirmos. Pelo contrário, se dividimos, acabamos multiplicando-as em nós mesmos. É assim com o amor, com a paz, com a tolerância, a serenidade e, claro, também com a alegria. Quanto mais alegria dividirmos, mais alegres seremos. Quanto mais amor dividirmos, mais amor teremos. Quanto mais levarmos paz a outrem, mais estaremos envolvidos em uma atmosfera de paz e tranquilidade. A matemática tradicional não se aplica nesses casos: divida e terás em dobro! Portanto, deixe rastros de alegria por onde passar!

Conforme ensina o Mestre Tang Li: “A vida é uma constante alegria. Ela é um constante borbulhar de cânticos. O vento toca nas folhas das árvores e canta uma melodia indescritível; as flores desabrocham belas mostrando sua alegria; os pássaros com seus cantos inimagináveis, felizes. A vida constantemente está em festa... Somente o homem vive amargurado e triste dentro de si mesmo.

Portanto, o sábio, quando atinge a sabedoria, percebe que deve fazer como as flores e viver como os pássaros. Todos os dias são como se fossem o desabrochar e o cantar da alegria de viver, a expressão alegre do sorriso que flui por todo seu corpo. O sábio dança, o sábio canta, o sábio pula, o sábio rola, o sábio é FELIZ”.

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Leandro José Severgnini

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Palestrante e escritor. Autor dos livros intitulados Dias de Luta, Dias de Glória e Liberdade - Nada Menos Que Tudo.