por Andrea Pavlovitsch

Qual é o momento de fazer terapia?

A coisa que eu mais escuto (além da cantada manjada de “Você é psicóloga? Acho que eu preciso de tratamento") é: “Ela/ele sim é que precisam estar aqui” ou a variação “Eu não preciso de terapia, quem precisa é meu marido/mulher/mãe/pai/chefe” — encaixe aqui sua pessoa predileta. Eu já saio dando risada por dentro, claro.

Então, qual é o momento de procurar terapia? Eu diria: sempre que você sentir necessidade. Mas e qual é essa necessidade? Quando você está em um tipo de sofrimento psíquico do qual não consegue sair.

Por exemplo, um casamento que está muito ruim e você quer se separar, mas não consegue; ciúmes excessivo, seu ou do parceiro, que está minando uma relação; relacionamentos com os pais ou irmãos que são tão ruins que você precisa sair de casa; um emprego que você quer sair, ou mudanças em geral.

Momentos de grandes transformações também são bons para se conhecer, porque são períodos de grande vulnerabilidade e isso é legal. Já estamos meio que na lama, então, é bom aproveitar isso.

Agora, quando não fazer psicoterapia? Quando você pretende dizer para o seu terapeuta coisas como a frase do começo do artigo. Ou seja, quando você ainda está achando que a culpa é do mundo e que você é só uma pobre vítima das circunstâncias.

Não, você não é. Por mais sofrimento que pareça que o outro te imponha, geralmente isso é uma situação na qual nós nos colocamos ou da qual nós não conseguimos sair. Ou melhor, não queremos sair.

Mas aí você fala: “Que absurdo, eu quero sim, só não dou conta”. Não, você não quer. Sempre tem algo em uma situação ou pessoa ruim que chamamos de “ganho secundário da doença”, ou seja, se você ainda fica é porque ainda ganha algo, mesmo que este algo seja ruim.

Por favor, não subestime seu inconsciente. É ele que manda na coisa toda e não a sua razão, na grande maioria das vezes. Sabe aquelas coisas que você sempre acaba falando: “Nossa, quando eu vi, já fiz”? Tipo atacar um bolo de cenoura com cobertura mesmo estando de dieta? Ou quando você jura que não vai mais transar com aquele carinha meio sacana, mas só lembra disso depois que acorda pelada na cama dele? É isso!

Parece que você não quer, mas você quer. E a terapia vai te mostrar justamente estas coisas. Por que eu faço o que eu faço? Por que eu escolho o que eu escolho? Por que eu simplesmente não “consigo” me livrar de certos comportamentos ou atrair certas pessoas?

Dói? Sim, não vou mentir. Não tem psicoterapia boa que não te deixe com três coisas: medo, tristeza e raiva (principalmente do seu terapeuta). Se você já sentiu essas três coisas e faz terapia, saiba que está no caminho certo, mas a liberdade não é de graça, meu bem. Poder ser quem você é. Acordar todos os dias e quando abrir os olhos pensar: “Que bom que eu tô viva e tenho um dia inteirinho pela frente” e dizer isso de coração, e não porque leu num livro de autoajuda, não tem dinheiro que pague.

É um processo, não um remédio que você toma, mas é um processo que vai te levar numa viagem interna da qual você não vai querer mais voltar. Vai te colocar no lugar, certinho, onde você se sentirá em casa e em paz (não parada, mas em paz) em cada minuto da sua existência. Vai fazer com que você consiga enfrentar qualquer medo que tenha, qualquer pânico e tudo que hoje parece um bicho papão! É nitroglicerina pura! É amor na sua mais genuína essência.

Escolha um terapeuta legal, que você vá com a cara. Que tenha uma formação bacana e sinta isso. Tenho certeza de que você ainda vai me agradecer.

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.