por Marcos de Paula

Violência em casa

Uma das pesquisas do Ministério Público de São Paulo, via seu Núcleo Central de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica, revelou que 57% das agressões contra mulheres acontecem após o término do relacionamento, o que nos favorece entender também que a postura machista de nossa cultura ainda provoca sentimentos de que “o homem se sente proprietário da mulher”, consequentemente não respeitando a liberdade da mesma, gerando sofrimentos físicos e/ou psicológicos que acabam afetando, direta e/ou indiretamente, inclusive, os demais familiares.  

Na mesma pesquisa constatou-se que a violência doméstica torna-se ainda mais intensa no período em que a parceira pretende/decide tomar a decisão de rompimento de uma relação que vem se desgastando, inclusive com lesões corporais e ameaças explícitas ou implícitas, em uma dinâmica de violência, muitas vezes, velada e silenciada justamente por uma postura social hipócrita e conservadora onde “o homem pode tudo... e a mulher tem que aceitar...”, o que proporciona uma banalização dos sinais violentos que são percebidos mas não reconhecidos/assumidos como “potencialmente perigosos e prejudiciais”.  

Algumas questões ainda são determinantes para que várias mulheres não consigam se desvencilhar dessa situação de padecimento e de empobrecimento de sua relação com o parceiro, como por exemplo, a dependência econômica, a pressão social e até mesmo familiar, onde as “falsas aparências” constituem parte de um cenário que torna-se cada dia mais fragilizado, doentio e esvaziado de um bem querer e de respeito que justifique uma convivência onde possa valer a pena o enfrentamento dos outros desafios do dia a dia e, ainda servir de exemplos positivos e verdadeiros de afeto, respeito, amor e acolhimento, principalmente para os filhos.

 

Marcos de Paula

+ artigos

Marcos D. de Paula é psicanalista, atendendo adolescentes e adultos na zona sul de São Paulo. Participa também do grupo Big Riso, voluntários que se vestem de palhaços e visitam hospitais do Grande ABC e de São Paulo, levando alegria e descontração, dentro de uma perspectiva de humanização hospitalar.