por Silvia Malamud

A liberdade de estar desperto!

Como continuar conectado com a essência e se manter sereno mesmo diante das adversidades?

A convivência diária com a ostentação, futilidades, poder, ego, pessoas sem noção e outras realmente maldosas, não poucas vezes conseguem nos tirar do chão. Pior, conseguem nos derrubar de uma árdua construção de caráter e de lucidez semeada dia após dia com bastante determinação e força de vontade. Quem vive a jornada do autoconhecimento sabe exatamente como forças antievolutivas insistem em nos jogar neste tipo de frequência totalmente adversa. E como é difícil não cair em ciladas emocionais de toda ordem sem perdermos as conquistas que tanto trabalhamos para estarem presentes em nossas escolhas, atitudes e condutas diárias.

Ao que parece, existe uma insistência severa para que as pessoas continuem transitando na consciência bidimensional. Para muitos a Terra ainda é plana. E para os que assim funcionam, a lucidez de alguns pode parecer ameaçadora.

É muito difícil acordar de um sonambulismo crônico, mas plenamente possível. Aqueles que dormem hipnotizados em suas próprias histórias, vivem numa espécie de autismo crônico, onde a conexão com o outro ocorre apenas em alguns ínfimos e breves momentos, mas logo retornando aos seus estados de cegueira crônica.

Muitas vezes o percebedor pode, literalmente, passar por louco quando tem algum surto maior de perplexidade, de denúncia e de recusa sobre o que estão querendo submetê-lo ou subjugá-lo. A denúncia também funciona como uma defesa para não se corromper e, portanto, não ser conivente com esse tipo de cegueira compartilhada.

Por mais impossível que possa parecer, como engrenagens de um sistema maior que mantém humanos inconscientes, os próprios ainda funcionam como guardiões do mesmo. Estão atados, completamente aprisionados sem saberem e, se por acaso notam alguém mais acordado e lúcido, ou seja, fora do sistema ou mesmo tentando sair dele, imediatamente tentam destruir. Um sistema que não admite pessoas conscientes.

Exatamente como no filme Matrix, isso ocorre em diversos temas dentro das famílias e na sociedade em geral. Ou você põe a venda e faz parte, ou está morto ou é um outsider. Nos regimes mais severos, literalmente te eliminam e em alguns mais maquiados, a todo custo, objetivam te matar psiquicamente.

Nunca foi fácil a escolha pela via da lucidez. Esta é uma opção que a princípio gera um misto de dor e alegria e que não tem volta. Com o tempo e como alento, a sua família cósmica vai sendo encontrada aqui neste planeta. Você passará a ver a grande maioria das pessoas funcionando como robôs e permanecerá imune porque já estará totalmente fora deste esquema de autômatos. Conseguirá ver muitos como formas, pensamentos ou mesmo como programas de computadores com pouquíssimas variáveis. Cada tipologia com um padrão de manifestação e script de funcionamento, mas todas máquinas.

E você, na categoria de conhecedor, será o observador ativo que terá conquistado habilidade suficiente para transitar por este meio com o diferencial de poder criar deliberadamente suas próprias histórias, com a maestria da invulnerabilidade.

Lembrando que vez por outra ainda virão ataques ou tentativas de sedução para que você entre em sono profundo, mas serão cada vez mais inofensivas. Você poderá observá-los como um filme do qual você não pertence, posto que a sua história e realidade são totalmente diferentes, de outra ordem.

Terapias de reprocessamento cerebral também podem ajudar sobremaneira na saída dos cenários antievolutivos. Se houver dificuldade para sair de algumas telas bidimensionais, busque ajuda dando-se espaço para ampliar e fortalecer seus canais de lucidez na máxima potência. E o melhor: acordado.

Seria a sanidade uma construção dogmatizada da realidade compartilhada ou um delírio coletivo?

Quanto mais despertos, melhor!

Silvia Malamud

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Silvia Malamud é psicóloga clínica, terapeuta certificada em EMDR e Brainspotting, especialista em sonhos e autora do livro "Projeto Secreto Universos" e "Sequestradores de Almas" da Editora Gente.