por Andrea Pavlovitsch

Aceita que dói menos

Um dia acaba. Acaba o chocolate da caixa, termina o prazo para inscrição. Um dia ele ou ela não estarão mais lá. Vão ficar um montão de lembranças e coisas vividas. Lições que o tempo não apaga. Sonhos esquecidos na gaveta, sentimentos, sensações. Aquilo acabou, e é preciso seguir em frente. É preciso aceitar.

É incrível, mas a nossa alma não liga a mínima para finais. Ela sabe que vai seguir adiante. Ela sabe que é eterna e que milhões de coisas e situações ainda passarão pela gente. Ela sabe que pode ser que a gente se reencontre, mas, mesmo que isso aconteça, já serão pessoas diferentes. Ela fica feliz que terminou. Ela gosta de ver o espação vazio que fica para ela poder preencher com tudo o que ela quiser. Ela curte o processo.

Mas o ego...então, com ele a coisa não é bem assim. Ele não quer o fim, nenhum tipo de fim. Pode ser o relacionamento mais conturbado do mundo. Pode ser a pior dor de cabeça da história, ele sempre vai pensar: “E agora?”. Com algumas coisas, criamos um verdadeiro apego. É difícil, eu sei, não é fácil controlar o nosso ego. Querer manter o que ele acha que precisamos manter, fazer de conta que controlamos tudo ao nosso redor. Mas não é bem assim.

Mesmo a coisa mais legal do mundo precisa terminar. Precisa de um ponto final. Precisamos deste tempo e deste espaço dentro de nós. Tem coisas que não poderemos mudar, elas aconteceram. O que isso tudo nos faz pensar é numa frase curta e que virou bordão: “Aceita, que dói menos”. 

E realmente, dói menos. Porque quando aceitamos (veja bem, você não precisa concordar, só aceitar que aquilo é daquela maneira) largamos o ego. Ainda vai dar saudades, ainda vamos nos perguntar às 3 da manhã porque não deu certo, mas não existe mais o apego.

Podemos usar aquilo como uma experiência, como alguma coisa que passou. Pode ser que tenha sido bom por um tempo ou por muitos anos. Mas acabou. E esse é o momento em que precisamos nos desprender da culpa, das faltas que justificamos, do medo e do pânico do novo. É o momento de olhar para frente e entender que o que você tem agora está dali para adiante, e que tudo o que o outro te deixou, ou o que a situação te mostrou, faz parte do seu passado. Viver o presente, esperar pelo futuro, mas não se prender. 

Tudo passa. De verdade. Passa, porque se transforma. Transformar-se é manter-se vivo. Pense nisso! 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.