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por Hellen Reis Mourao

As bruxas na Mitologia Grega - Parte 1

A figura da bruxa é muito comum nos contos de fadas, mas também encontramos na Mitologia Grega algumas mulheres e deusas que eram consideradas bruxas. Mas antes de falarmos delas é importante compreendermos o que o termo bruxa significa.

As bruxas são mulheres que possuem conhecimento de magia, encantamento e que podem interferir diretamente na vida e destino humano. Elas também possuem conhecimento do uso de ervas e dos poderes curativos da terra.

No imaginário popular a bruxa geralmente é retratada como uma velha nariguda e que usa um chapéu pontudo e voa em uma vassoura. No entanto, essas eram antigamente consideradas mulheres sábias detentoras do conhecimento da natureza. E esse conhecimento, como tudo na vida, tem um lado bom e um lado destrutivo.

A mudança de olhar para a figura da bruxa ocorreu durante a Inquisição. Ninguém tem o número exato porque não foram mantidos registros, mas estima-se que ao longo de 300 anos entre três e cinco milhões de mulheres foram torturadas e mortas pela "Santa Inquisição", uma instituição fundada pela Igreja Católica Romana para reprimir a heresia. Esse acontecimento se equipara ao Holocausto como um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Bastava uma mulher mostrar amor pelos animais, caminhar sozinha nos campos ou nas florestas ou colher plantas medicinais para ser considerada bruxa, torturada e condenada a morrer na fogueira. 

As bruxas então são símbolos do matriarcado, de uma era onde o conhecimento da terra e do uso de ervas para fins medicinais e do poder de transformação, que abandonamos com o passar do desenvolvimento tecnológico.

Para iniciar então o conhecimento as bruxas na Mitologia Grega, nada mais justo que a deusa mais associada à bruxaria: Hécate.

Hécate

 


 

Hécate era filha da titã Astéria (deusa da noite estrelada) e do titã Perses (deus da luxúria e da destruição). E seu nome significa “A distante”.

Hécate chegou a morar no Olimpo, mas despertou a ira de sua mãe quando lhe roubou um pote de carmim. Ela fugiu para a terra e tornando-se impura foi levada às trevas para ser purificada. Vivendo no Hades, ela passou a presidir as cerimônias e rituais de purificação e expiação. 

Apesar de em essência ser um titã, Hécate tinha prestígio e manteve seus domínios na terra e no submundo.

Essa deusa aparece representada ora com três corpos ora com um corpo e três cabeças, levando uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas em seu pescoço. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a velha. Tendo o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo, ela podia ver o destino, o passado que interferia no presente e que poderia prejudicar o futuro. 

Também é a deusa da encruzilhada (lugar atribuído a bruxaria), e está sempre acompanhada de seus cães e lobos. 

Hécate era uma dispensadora de prosperidade, eloquência nas assembléias, vitória em batalhas e jogos e de abundância de peixe aos pescadores. Seus privilégios também se estendiam aos campos e era também nutridora da juventude, protetora das crianças, enfermeira e curandeira de jovens e mulheres. Está também ligada aos ritos da fertilidade.

Hécate não possui um mito próprio, agindo mais em função de seus atributos. 

Com o tempo a deusa foi adquirindo características, atributos e especialização bem diferentes desses benéficos. Ela, então, passou a ser considerada como divindade que preside à magia e aos encantamentos. Ligada ao mundo das Sombras, aparece aos feiticeiros e às bruxas com uma tocha em cada mão ou ainda em forma de diferentes animais, como égua, loba, cadela. Tida como a inventora da magia, o mito acabou por fazê-la penetrar na família das bruxas por excelência: Circe e Medéia.

Passou então a ser uma deusa que preside as aparições de fantasmas e senhora dos malefícios. 

Deusa da Lua pode representar três fases da evolução lunar: crescente, minguante e lua nova, em correlação com as três fases da evolução vital. 

Ela reúne os três níveis: o infernal, o terrestre e o celeste e, por isso mesmo, é cultuada nas encruzilhadas, porque cada decisão a se tomar postula não apenas uma direção horizontal na superfície da terra, mas antes e especialmente uma direção vertical para um ou para outro dos níveis de vida escolhidos. 

Hécate simboliza a nossa necessidade de aceitar as mudanças na via e dos ciclos da vida humana: juventude, vida adulta e velhice. E também o lado obscuro da nossa alma. Esse lado pode ser bem assustador, mas também pode trazer muita prosperidade de desenvolvimento espiritual.

A grande mágica das manifestações noturnas simboliza o inconsciente, onde se agitam monstros, espectros e fantasmas. De um lado, o inferno vivo do psiquismo, de outro uma imensa reserva de energias que se devem ordenar, como o caos se ordenou em cosmo pela força do espírito.

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Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.