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por Erickson Rosa

Como combater o Narcisismo que habita em nós em tempos de depressão

Narciso é um personagem da mitologia grega. Era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. Quando completou 15 anos, foi profetizado que viveria muito, desde que nunca visse sua imagem. Resumindo a história, mesmo cometendo a falha de minimizá-la, Narciso definha à beira do rio por ficar encantado com sua própria imagem. Apaixona-se por si mesmo e não consegue olhar mais nada que há em seu redor, acabando por falecer à beira do rio, amando apenas seu próprio reflexo. 

Esse conto reflete bem a situação atual de nossa sociedade. Vivemos em uma sociedade narcisista, que definha, sem perceber, encantada consigo mesma. Crendo que na satisfação pessoal e na busca incessante pelo prazer irá promover a felicidade. 

Antigamente, vivíamos em comunidades, conhecíamos nossos vizinhos e viver em sociedade era conhecer as pessoas e estar em contato com o outro. Contudo, na sociedade contemporânea, busca-se apenas a satisfação do próprio prazer, sem se importar com as pessoas de sua comunidade. Ficamos competitivos, acreditando que só assumiremos lugares positivos se superarmos o outro. Além disso, tememos nossos vizinhos, acreditando na máxima de Hobbes: “O homem é o lobo do homem”, e fechamo-nos em nossa casa, querendo nossa privacidade e segurança. Assim, passamos a não conhecer mais as pessoas, mesmo morando em condomínios. 

Buscamos apenas realizarmos nossos prazeres, alienados pela lógica de um consumo sem fim. Para estarmos bem, precisamos consumir e consumir. Nossos desejos também são de ter as coisas e não de estar com as pessoas. Nossa capacidade de ser social é trocada por ter mais objetos que sustentem nossa felicidade (ou na verdade seria um prazer que se esvai até a próxima compra?). 

Contudo, esse encantamento com as coisas não é duradouro. Ele passa à medida que nossa energia com aqueles objetos vai baixando. Quando se compra um carro novo, essa energia fica alta, mas basta um tempo passar que essa vibração toda acaba. 

REENCANTAR-SE 

Por isso precisamos aprender a nos reencantarmos com a vida. Esse reencantamento passa por nosso contato com as pessoas, saindo de nosso autocentramento e tomando contato com as pessoas que nos cercam. Há muito se sabe que a depressão é o excesso de eu, quando a pessoa fica focada somente em si mesma e não consegue ver que outras pessoas também sofrem. É muito tocante que esse seja o problema de nossa sociedade narcisista. Obviamente que, ao sermos autocentrados, teremos depressão. Da mesma forma acontece com a ansiedade. Se estamos competindo uns com os outros, é certo que seremos ansiosos, que ficaremos em alerta, porque estamos competindo uns com os outros. 

Precisamos aprender a nos relacionarmos, a entender que nossa felicidade reside também na felicidade do outro. Pense em quantas pessoas você pode ajudar. Falo em ser um ombro, em dar um carinho e ser a pessoa que escuta. Podemos aprender a reencontrar esse encantamento da vida. O mundo é muito maior que a economia, que a competição, que o mercado e que o dinheiro. O mundo são os seres, são as pessoas, a natureza. 

 

Se aprendermos a ver o mundo na perspectiva de uma visão mais ampla, veremos o quanto limitamos nossa felicidade em situações que não são significativas. 

Ao aprendermos a encontrar a felicidade na felicidade dos outros, teremos mais possibilidades de sermos felizes. Amplie sua mente, seu coração e sua felicidade.

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Erickson Rosa

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Terapeuta holístico, Mestre Reikiano e formado em psicoterapia holística. Fundador do Coach Matinal e autor do e-book Ansiedade Sem Remédios. Ministra cursos e eventos com temas como a motivação, psicossomática, fisiognomonia e meditação.