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por Andrea Pavlovitsch

Dá-me paciência

- O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós, um pouco mais de paciência... (Lenine)

Ontem, depois de sair da aula de yoga, decidi ir ao banco a pé. Talvez influenciada pelos apelos dos ativistas em deixar o carro em casa, ou pela dieta e exercícios com as quais estou envolvida, mas principalmente para ver o que tem na rua.

Adoro a rua! Adoro andar a pé pela rua. Ver as lojas, as pessoas passeando. Ver os cães das casas que pulam em você quando passa. Mas ontem tive uma imensa dificuldade que não sentia há muito tempo: atravessar a rua. Deus, como isso é difícil. O problema é a completa falta de paciência das pessoas.

Os carros parecem ser dirigidos por zumbis, que não percebem que aquelas coisas que atravessam as ruas são pessoas. Em um cruzamento destes bem complicados, que pedem uma reorganização há tempos, eu parei no meio fio e cocei a cabeça! Como eu conseguira passar para o outro lado? Acabei, depois de alguns minutos, percebendo uma brecha entre um Monza Classic 87 e uma Pajero 2009. Corri. E quando estava no meio do caminho, a motorista da Pajero acelerou, para depois parar bruscamente e me xingar, olhando como se eu fosse a culpada.

Como pode? As pessoas não enxergam que aquilo é um lugar complicado? Que além dela, a rainha da Pajero, existe mais seis bilhões de pessoas no mundo? Que é preciso entender que as pessoas têm ritmos diferentes e precisam, muitas vezes, de mais do que você precisa naquele momento? Confesso que me senti desprotegida. Como se qualquer pessoa, em qualquer lugar, pudesse me fazer um mal enorme de graça. E sem nenhum sentido. Eu poderia estar debaixo de uma Pajero porque a pessoa não tinha paciência para esperar alguém atravessar a rua, num lugar completamente desprovido de faixa de pedestres. Por que ela tinha horário na manicure e não podia chegar atrasada?

Fiquei pensando o que gera a falta de paciência e só posso dizer que é a pressão do dia a dia. Não, queridos leitores, não só a pressão que os outros colocam em cima da gente. Mas, e principalmente, a pressão que nós colocamos em cima da gente. Esta é implacável. É cruel, e te trata como lixo cada vez que um dos 400 itens de tarefas diárias saí do seu controle. Que você se atrasa, que você esquece ou qualquer coisa assim. Porque cada vez que isso acontece, nós acabamos com a gente, colocamos a gente abaixo de cachorro e, claro, não temos a menor paciência para os nossos defeitos e limitações.

Então a minha sugestão é: calma! Pense no que você é. Você é uma pessoa que está aproveitando as experiências da sua vida para aprender e tentar? Ou está só apagando incêndios que você não provocou? Ninguém tem obrigação de nada. Fazemos as coisas porque elas nos são caras e nos dão prazer. Senão vira tudo uma imensa obrigação sem tesão nenhum.

E como diria o filósofo, sem tesão não há solução. Ter e criar filhos vira uma fila de problemas com escola, uniforme e educação. Seu trabalho vira um monte de responsabilidades inúteis que você já esqueceu porque mesmo que começou. A sua casa vira um amontoado de contas, lixo e problemas e a sua cabeça vai terminar com um belo Alzheimer porque não existe cérebro que agüente tantos anos de pressão. Então pare. Respire. Relaxe. Entenda qual é a sua real função no mundo e, se necessário, faça algumas mudanças. Medite, nem que sejam cinco minutos por dia.

Respeite-se. Ajude-se. Você é e sempre será a pessoa mais importante do Universo. Nunca, nunca se esqueça disso. E, claro, dirija com mais atenção.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.