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por Andrea Pavlovitsch

Deixe-me ir

Então a relação acabou. E você – ou a outra pessoa – foi até quem terminou. Depois de muitas brigas isso parece mesmo o melhor a fazer e, um dia, depois de chorar litros tomando sorvete em frente à TV, você decide que foi mesmo o melhor e vai cuidar da sua vida.

Mas aí vêm as mensagens. O “oi, sumida”. O “preciso só falar com você uma coisinha”. Isso pode ser do outro ou até seu mesmo, e não tem a ver com querer voltar para o outro e sim com não conseguir deixar o outro completamente. Nos amarramos a uma situação que foi por anos ruim, mas confortável e conhecida. Não conseguimos ir ou não conseguimos deixar ir.

É como quando você decide dar uma coisa sua para outra pessoa. Você dá um pedaço daquele seu chocolate, mas aí quando a pessoa vai pegar você não consegue soltar. Bem cena de comédia boba mesmo. Você fica prendendo enquanto o outro te olha assustado. Eu não quero mais, sei que é o melhor, mas desapegar é difícil.

É essa a palavra. Desapego! Como nos prendemos por apego ao outro. Não só ao outro, mas a tudo o que ele representou. Cansei de ouvir a frase “Ele(a) jogou a nossa história no lixo. Foram 20 anos de história que o outro simplesmente jogou fora”. Gente, pelo amor de Deus. História é só isso mesmo, uma história. E não tem como jogar isso no lixo. O que existe é o presente e o futuro.

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Aquele relacionamento fez sentido em algum momento. Vocês deram certo, durante um ou 20 anos, mas isso ficou no passado. E não quer dizer que está sendo “jogado fora” e sim que hoje, com a sua maturidade recém-adquirida, as coisas não fazem mais sentido. E você pode, sim, reciclar e ressignificar aquela relação. Pode ser que a pessoa seja um bom amigo para sempre, ou sempre seja o melhor pai do mundo para os seus filhos, mas aí a relação é diferente.

Não se apegue a coisas que acabaram, isso é uma prisão. Uma prisão feia, suja e úmida que vai te trazer sofrimentos diários para o resto da sua vida. Não se apegue às relações, não se apegue ao passado, nem a nós mesmos a gente pode se apegar. 

Sabe aquelas pessoas que ainda vestem as mesmas roupas de quando tinham 15 ou 16 anos? Que usam o cabelo da Luciana Vendramini como se ela tivesse cortado ontem? Então, é isso. Ficamos datados. Isso nos envelhece a alma, nos prende e, pior, não nos deixa viver mais nada. Nem novos relacionamentos, nem a nova você que surge depois de uma experiência profunda de conexão com alguém. 

Não interessa se a pessoa partiu por acabar o amor, por brigas ou até pela morte. Deixe-a ir embora. Deixe ir embora o que não faz mais nenhum sentido real na sua vida. Redescubra o seu jeito de ser, refaça o que você é. Tem uma alma aí dentro que sempre clama por novidades e tem uma imensa fome do mundo. Deixe-a ir. E viva de novo.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.