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por Andrea Pavlovitsch

Foque no que você realmente deseja

Eu confesso que sempre tive um problema sério. Eu sempre fui uma pessoa pesquisadora de mim mesma. Sempre fui atrás do que eu queria, sempre fiz inúmeras tentativas, mas vinha percebendo que, muitas vezes, os meus esforços não eram recompensados. Eu achava que estava “fazendo algo errado”, não entendia direito isso, até que fiz um atendimento que mudou tudo. 

Um rapaz, que vamos chamar de João, chegou até a minha consulta de Tarot se queixando, primeiramente que não tinha namorada. Que isso era um problema e que ele queria um amor, e me perguntou quando ele ia conhecer alguém. Quando abri as cartas e falei o que aparecia – que ele conheceria alguém, mas ainda demoraria um pouco – ele bufou e falou que iria para a próxima pergunta. Eu achei estranho, geralmente as pessoas querem saber tudo o que está acontecendo nas cartas, mas ele quis saber de emprego.

Disse que queria abrir um negócio e se o negócio ia dar certo. Pensei que ele já tivesse algo, porque ele falou realmente como se tivesse tudo pronto, só esperando funcionar. Falei para ele o que aparecia –  que era realmente algo muito bom, mas que, de novo, aparecia com certa demora. Ele deu mais uma bufada e, assim, de bate pronto, me perguntou se iria arrumar um emprego.

Comecei a ficar confusa. Ué, mas e o negócio? Ele falou que queria um emprego para juntar dinheiro e abrir o negócio. Já ficando meio irritada, abri as cartas novamente. Quando eu falei que o emprego novo estava próximo, ele ficou mais feliz e afirmou que queria saber se iam mandá-lo embora do emprego atual.

Aí eu já comecei a rir: ele tinha 49 frentes de possibilidades abertas e não entendia por que nada acontecia. Ele queria um negócio, mas na verdade queria uma namorada, só que precisava ser mandando embora e arrumar outro emprego e tudo aquilo ficava girando na mente dele, confusa e desorganizadamente. Eu tentei – juro! –  estabelecer uma ordem, mas ele, irritadíssimo, se levantou e foi embora, dizendo que eu não o ajudei em nada. Ah, antes disso, insistiu que eu desse as respostas que ele queria ouvir, e não o que realmente apareceu nas minhas cartas. Não, isso eu não faço. 

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Quando estamos assim, com tantas possibilidades, entramos em parafuso. Gera-se uma ansiedade monstruosa, a qual só faz com que não enxerguemos nem um palmo na frente do nariz. Mesmo que eu, pacientemente, tenha tentado explicar isso para ele, João começou a a culpar o Universo, a dizer que ele sempre pedia e nunca conseguia nada. Estava revoltado com Deus, O qual não tinha nada com isso.

O meu problema, e o de muitas pessoas, é exatamente esse. Temos sonhos, muitos dentro da mente e queremos tudo. E queremos tudo agora. E tentamos tudo ao mesmo tempo. Nos embrenhamos num novo relacionamento e, concomitantemente, em 12 projetos de trabalho. Acabamos deixando as tartarugas fugirem, porque a mente precisa de foco. Precisamos entender o que queremos, quando queremos e primeiro focar naquilo.

Me sentei e reorganizei as minhas reais prioridades. Se aparecesse um gênio da lâmpada aqui, na minha frente, o que eu pediria para ele. Dinheiro, amor e uma família. Beleza, então vamos começar pela sobrevivência e autonomia do dinheiro. Dentro disso, o que eu preciso para ganhar mais ou para gastar menos? Como eu posso pagar as minhas dívidas, como eu posso me recuperar de uma derrocada? E se eu decidir que quero mudar de trabalho, como eu faço isso? Ir destrinchando o elefante, parte por parte, para poder comer. Ninguém enfia um elefante inteiro na boca, de uma só vez, não é mesmo?

Dá para ter tudo, mas é preciso foco. E tempo para que cada coisa se desenvolva e para que possamos criar a maturidade e o entendimento do que é realmente necessário. Este era, sim, um erro que eu vinda cometendo, mas que, graças ao João, não cometerei mais. Espero que o João possa ter te ajudado também!

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.