Compartilhar

por Andrea Pavlovitsch

Medos patológicos e fobias

Ansiedade. Quem nunca sentiu? No final das contas a ansiedade não passa de medo. Medo de dar errado, medo de não conseguirmos, medo, medo, medo. Medo que foram colocados na nossa cabeça ainda crianças, e medo que, depois de grandinhos, nós mesmos inventamos.

O negativo, tragédias e as notícias ruins, sempre chamam mais a atenção do ser humano. Por uma razão simples: instinto de sobrevivência. A televisão sabe disso e derrama programas e mais programas de tragédias na TV, usando sempre um tom sensacionalista, como aquele com um apresentador sisudo e de voz grossa, sabe? Enfim, sim, vende. As pessoas param para assistir. Elas querem saber o que está acontecendo para que? Para se protegerem. Pensam que, se eu souber como evitar, nenhum mal vai me acontecer.

Sabe quando você recebe a notícias de uma morte? Geralmente de uma pessoa jovem, que ninguém estava esperando. A primeira pergunta é: morreu do que? Não é só interesse mórbido, embora até seja em alguns casos, mas é procurando uma justificativa plausível. Ah, ele teve câncer, mas ele fumou a vida toda. Ah, ela foi atropelada porque não olhou para os dois lados antes de atravessar. Sempre justificamos a morte. Sempre inventamos, inconscientemente, uma maneira de nos convencer de que a nossa morte está lá, bem longe da gente.

Então, de ansiedade em ansiedade, a coisa pode crescer tanto que vira outra coisa. A síndrome do pânico, por exemplo, no final é só o medo de sentir medo. Quem já teve uma crise sabe muito bem o que é. Definitivamente a morte real não deve ser tão desesperadora como aquela que o medo desperta. São sintomas físicos, reais, que levam milhares de pessoas aos prontos-socorros do mundo todos os dias. Um medo de sentir de novo aquele desespero. O medo de enlouquecer ou de morrer, geralmente um dos dois.

Outra manifestação da patologia do medo são as fobias. Elas são diferentes do pânico, são mais profundas e mais difíceis de serem tratadas. Geralmente começam com um medo bobo ou um pequeno trauma. Grandes traumas até podem gerar, mas não necessariamente. São as pessoas que sentem desespero em voar (me incluindo nisso) ou pavor de insetos, de água ou de quaisquer outras coisas. Existem fobias até engraçadas, como medo de palavras específicas ou viadutos. 

Mas uma coisa que não devemos fazer é ignorar isso. Nem na gente mesmo e nem nos outros. Quando eu sinto medo de voar e conto isso para alguém sempre vejo um sorriso no canto do rosto e a frase “Avião não cai não. Deixa de ser boba”. Primeiro, sim, aviões caem, apesar de estatisticamente serem mínimos os acidentes aéreos. E não, meu medo não é bobo. Não é porque eu sou ingênua, mas porque meu psiquismo não se acerta com aquilo.

Se você sente ansiedade em excesso, medo exagerados ou pânico procure ajuda. Existem maneiras de ajudar pessoas nessas condições, ou, pelo menos, conseguir conviver com a fobia em paz. Respeitando o próprio medo. Mas, viver ansioso, isso sim é um passe livre para a doença e consequentemente a morte. Calma, essa é uma certeza. Mas ainda tem muita coisa pela frente. Que deve ser vivida da melhor maneira possível. Bem e feliz!

Compartilhar

Andrea Pavlovitsch

+ artigos

Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.