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por Andrea Pavlovitsch

Mulheres: se não está bom, é para sair fora!

Se eu pudesse, gritaria essa frase aos quatro ventos. Mulheres, pelo amor de Deus, se a relação está uma porcaria, simplesmente vão embora. Mas por mais que eu estilhaçasse a minha garganta, argumentando durante horas porque aquele cara ou aquela relação não tem mais salvação, morreria seca, na praia, aos berros, sem uma gota de sangue no corpo.

Como é complicado, quando estamos em uma situação ruim, entender que, sim, é o outro. Não é você, é ele mesmo, minha querida. E não, não há nada no mundo que você possa fazer para salvar a situação. Quando acaba, acaba.

Oriento mulheres todos os dias, o dia todo praticamente. Mas na maioria das vezes é como jogar pérolas aos porcos. Fora a minha enorme frustração com essas situações, sei que existem motivos por trás desses comportamentos. Não é só “sem-vergonhice” ou “não se valorizar” que causa isso. O buraco é bem mais embaixo.

Mulheres são ensinadas a salvar relações desde criancinhas. Você vê sua mãe, ou responsável, fazer isso com o seu pai. Ou o namorado dela. Aí você pensa, como eu mesma pensei um dia, aos cinco anos: “Nós, as meninas, precisamos manter as coisas funcionando, senão o papai vai embora”

Eu me lembro de depois de ver uma briga homérica dos meus pais pensar: “Eu nunca vou brigar com o meu marido” – isso aos cinco anos, achando que a culpa da briga era da minha mãe. Ou seja, virei a boazinha que se ferrou a vida toda nas relações amorosas.

Reflita mais sobre o seu amor com o artigo "O que fazer para o relacionamento dar certo?"

Mas um dia a gente aprende. E eu aprendi. Aprendi que não é bem assim que a banda toca. Que a relação tem duas pessoas e que depende das duas para acontecer. E, pior, você não tem o poder mágico de fazer ninguém querer ficar com você.

As mulheres têm o péssimo hábito de tentar convencer o cara a ficar com elas. Se eu ganhasse um centavo cada vez que eu ouço “Ele não vê que eu sou o melhor que aconteceu para ele?”, eu estaria falando diretamente da minha cobertura em Paris. E, acreditem, não é o caso. Mas poderia ser. Como tentar usar o racional, argumentos, para convencer alguém a te amar? 

O amor é da ordem dos sentimentos, da emoção, não tem nada de racional nisso, pelo amor de Deus. Não adianta passar horas numa DR eterna, listando e dando check-in nas suas incríveis qualidades como governanta, como cozinheira de sopas ou como terapeuta.

Ah é, ainda tem essa, a mulher vira terapeuta. Quer aconselhar o pobre coitado. Explicar que ele deve estar com depressão e por isso não quer mais ficar com ela. Tenta marcar um médico, um acupunturista, uma mãe de santo maravilhosa que fica do outro lado da cidade, mas nada. Ele não vai, sabe, ele é teimoso demais. Cabeça dura.

A única cabeça que fica dura quando cisma com o cidadão é a sua. Faça um favor a si mesma e vá cuidar da sua vida. Entre na academia, faça aulas de tricô ou de tiro, se preferir, mas vá cuidar dos seus interesses. Se for mesmo do seu destino, ele volta. Senão, você não perdeu mais o seu precioso tempo. 

Beleza?

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.