por Ana Govatto

Os potenciais da alma: ingredientes do prazer

Refletindo sobre os potenciais da minha alma orgulho-me das virtudes e me volto ao trabalho da correção dos desvios. Afinal, para que viver apenas por viver?

Todos nós temos um caminho a percorrer. Querendo ou não, com energia ou não, aceitando ou não, temos um caminho a percorrer. Cada ser tem função e qualidade exclusivas. Somos únicos, somos importantes, somos peças de um Universo que se transforma, se adapta e se refaz a cada instante. Resistir a esta verdade é lutar contra o desconhecido e, o que é pior, é se recusar a querer conhecê-lo.

Entender a dinâmica da vida não é nada fácil e, para isso, ofereço aqui uma humilde, porém objetiva, lista de potenciais humanos que são ingredientes de uma vida prazerosa. A proposta aqui é provocar uma reflexão sobre si mesmo: quais potenciais estão mais evidenciados em mim? Quais preciso melhorar?

Mas, por favor, nada de reprimir-se, culpar-se ou arrepender-se daquilo que você é. Lembre-se: você é um ser único, ninguém é igual a você e há diante de si uma necessidade inevitável de desenvolvimento de um plano de vida que é só seu. Se você não acredita nisso talvez alguém esteja comandando a sua vida sem a sua intervenção ou atuação e muito distante você está do prazer de usar seus potenciais.

Vamos lá! Agora observe apenas seus sentimentos, pois eles definem quem você foi, quem você é e, principalmente e felizmente, eles definirão quem você será.

Vamos brincar um pouco: faça de conta que você vai preparar um bolo. Imagine sabor e forma preferidos. Esse será seu primeiro prazer: sentir o sabor doce mesmo antes de o bolo ficar pronto. Imaginação! O bolo é a pessoa que você se tornará daqui a um tempo a partir de suas próprias atitudes: deliciosa, inteira, apaixonada pela vida e com grande capacidade realizadora.

Vamos continuar nossa receita.

Agora, olhe a lista abaixo, separe os ingredientes dos quais você se orgulha daqueles que precisam ser explorados e sinta cada um deles, pois eles te transformarão em uma nova (e deliciosa) pessoa pronta para se orgulhar de si mesma:

-Sabedoria: é a nossa leitura do mundo. Não é o nosso julgamento sobre o mundo, mas a nossa capacidade de adaptar-se às mudanças e de explicar coisas complexas de maneira simples.

-Paciência: a solução do problema está no problema. O que nos afasta da solução é a inquietação, e não a falta de capacidade.

-Respeito: autorrespeito e respeito alheio. Quem se respeita é respeitado.

-Liberdade: fluir, circular, se perder e se achar na dinâmica da vida.

-Lucidez: discernimento, imparcialidade e moderação diante dos fatos da vida.

-Naturalidade: somos fruto da natureza, nascemos da mesma fonte, mas caminhamos distintamente.

-Humildade: quando colocado à frente de tudo, o orgulho nos endurece e nos torna inflexíveis. Curvar-se não é sinônimo de passividade.

-Coragem: destemor diante da vida. Lançar-se, jogar-se e ousar fazer.

-Segurança: só o livre erra e só quem erra vê o mundo de várias formas.

-Individualidade: é uma expressão do amadurecimento pessoal. É o entendimento de nosso funcionamento físico, emocional e espiritual.

-Generosidade: doar de maneira adequada e raciocinada.

-Aceitação: aceitar o movimento não é ser passivo, mas é estar aberto para o novo, o desafiador e o mutável.

-Amor: expansão da alma, desprendimento, libertação e, acima de tudo, multiplicação do bem.

Modo de preparo: junte tudo dentro de você, mexa até entender a sua dinâmica de vida e coloque para amadurecer em temperatura amena, sem pressa, sem angústia. Afinal, a evolução é como o nascer do dia: lenta, suave e encantadora.

Que delícia de pessoa!

Ana Govatto

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Publicitária, especialista em marketing e mestre em Comunicação Social. É mãe, mulher, runner, autora de livro, voluntária em projetos sociais, professora universitária, consultora empresarial e mais uma porção de outras coisas, assim como todas as mulheres.