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por Andrea Pavlovitsch

Pré-ocupação e ocupação

Eu me virei na cama mais uma vez. Não tinha mais posição. Já tinha tentado tudo, mas a azia e a cabeça doendo não estavam ajudando em nada. Pior, não vinha nada na minha cabeça. Quer dizer, nada que parecesse estar mesmo me preocupando para gerar tanta insônia. Sim, eu estou com alguns problemas que parecem meio cabeludos, mas nada que vá me matar ou me tirar a liberdade... Então, por que, meu Deus?

Dormi, finalmente, mas aquele soninho rápido que nem parece sono. Sonhei. Um pesadelo e tanto. Todas as pessoas da minha família brigavam comigo. Falavam que eu era uma irresponsável, como eu tinha feito aquilo (uma coisa que está agora acontecendo na minha vida). Minha mãe estava especialmente brava.

Assim que acordei é que percebi sobre o que era a preocupação. Algo que eu nem tinha me tocado, estava sim me tirando o sono. Assim que amanheceu, fui resolver a demanda e, pasme, a insônia desapareceu desde então. 

Geralmente, a preocupação não é real! Uma coisa é você se ocupar de um tema. Hoje, por exemplo, eu passei o dia pensando em temas para escrever aqui no Horóscopo Virtual. Legal, isso é uma ocupação da mente. Fui pesquisando e achei temas bem interessantes (incluindo este), e acabou o assunto. Mas a preocupação é ocupar a mente com algo geralmente catastrófico, que pode ameaçar a sua vida (virtualmente) que geralmente está pautado em problemas do passado, e não do futuro.

A questão é: pegamos um assunto (geralmente, algum que se pareça com algo que já nos aconteceu antes) e começamos a pensar que, desta vez, o destino será o mesmo. No meu caso, na primeira vez que isso me aconteceu, a minha mãe ficou realmente muito brava. Ela me perseguiu por anos e eu estava com medo da história se repetir. Mas a primeira vez aconteceu quando eu tinha 20 anos, e não 40 como eu tenho agora.

Então, a preocupação não era real, e sim um repeteco da mente, como um disco riscado, que dizia que tudo o que já aconteceu antes, aconteceria de novo.

Às vezes, nem aconteceu antes. Às vezes, só vimos isso acontecer com outra pessoa ou até mesmo vimos em um filme da TV. O interessante aqui é perceber que tudo é uma criação da mente, e não uma realidade. Algo que estamos com medo, mas que não existe, às vezes, nem como potencial.

Quando resolvi a questão, principalmente com a minha mãe, é que percebi o quanto a minha mente tinha me enganando. Não tinha nada a ver, era só fantasia. Geralmente, as preocupações são só fantasias catastróficas, que te tiram o sono e te deixam com olheiras horríveis que nenhum corretivo tira. E isso, só isso mesmo, é que é uma catástrofe.

Aí você me fala: mas eu estou preocupada com a saúde de um filho, com alguém no hospital, com um problema realmente grave, Andrea... Então, mesmo assim não tem porquê. O que realmente você pode fazer pela pessoa? O que realmente você pode fazer para melhorar a situação. Pense nisso e aja nesse sentido. Você não é Deus e não é responsável pela saúde ou até mesmo pela sobrevivência de ninguém. Sim, você pode estar mais preocupado com a tristeza que vai sentir ao perder aquela pessoa, do que com a pessoa em si.

Pense de novo. Reavalie tudo isso antes de perder mais uma noite de sono. Faça a sua parte, aja, e depois entregue para o cara lá de cima, que sempre sabe o que fazer bem melhor do que nós. Acredite. Isso é ter fé. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.