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por Andrea Pavlovitsch

Precisamos nos sacrificar pelo nosso próprio bem

Existe uma carta no Tarot – e eu sempre lembro da minha mãe que a chama de “homem de cabeça para baixo” – chamada “O Enforcado”. É sim um homem pendurado pelo pé – somente por um – numa posição incomoda, presa. Mas ele não tem uma cara de dor ou sofrimento, está simplesmente parado lá, com a possibilidade de sair, mas prefere ficar. Em alguns tarôs ela é chamada de “O Sacrifício”.

E é bem esse o significado: os sacrifícios que precisam ser feitos em nossas vidas. É interessante que, na cultura cristã, Jesus é visto como alguém que se sacrificou por nós, e essa imagem é percebida de uma forma muito negativa. Ninguém quer se sacrificar por nada e, quando fazemos isso, usamos um discurso vitimizador e até manipulador.

Mas no final das contas, não existem metas batidas ou coisas que desejamos batendo em nossa porta de graça. É preciso sim fazer sacrifícios pelas coisas que queremos. Com a Revolução Industrial e o crescimento do modo capitalista e mercantilista de vida, isso foi perdendo o valor que realmente tem. Somos bombardeados por propagandas que oferecem produtos para “facilitar” e para nos tirar “o sacrifício” de ficar na cozinha limpando ou cozinhando. Oferecem-nos remédios que nos curam sem sacrifícios, que nos fazem emagrecer dormindo. Existem até áudios que prometem o aprendizado de uma outra língua enquanto você dorme.

Parece que tudo o que queremos é dormir e ficar numa rede na praia, mesmo sem estarmos cansados. E assim, vamos perdendo o viço, perdendo nossas metas, ficando desmotivados porque entendemos o sacrifício como algo muito ruim. 

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Bom, mas a verdade é uma só. Quer ter um corpo sarado? Precisa acordar mais cedo e ir à academia. Precisa comer frango com batata doce e tomar um suplemento – saudável – ou outro de vez em quando. Quer prosperar na carreira? Precisa se dedicar, trabalhar muito, estudar e estar sempre antenado. Precisa chegar mais cedo e sair mais tarde, pelo menos naqueles períodos mais drásticos. Precisa de sacrifícios.

Precisamos tirar o ranço que a propaganda e as “facilidades” da vida moderna nos tiraram do que é o sacrifício. Sempre que essa carta sai no jogo de alguém, está pedindo a essa pessoa para pensar no que precisa sacrificar pela vida que realmente quer. Quais pontos ela precisa repensar, do que precisa abrir mão para ter e ser aquilo que ela realmente deseja.

Então, pense em que tipo de sacrifícios você está disposto a fazer. Se você não se sacrificar no presente, vai acabar se sacrificando no futuro. Não existe essa história de uma vida sem nenhum sacrifício. Mesmo que o Mr. Músculo te ajude a limpar a cozinha para que você possa ir à praia, até uma tarde na praia dá trabalho, então tudo bem.

Adoramos o trabalho. Amamos ter algo com o que nos preocuparmos e pelo que viver. Então, abrace seus sonhos e saiba que tudo bem. Que o Universo entende que você vai precisar parar um pouco de vez em quando e descansar da sua cruz. Mas que você precisa se manter andando. Sempre. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.