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por Andrea Pavlovitsch

Quando tudo desaba

Existe uma carta do tarô chamada A Torre. E quando ela aparece é sinal de mudanças bruscas, daquelas que não temos muito controle. É o começo de uma crise de transformação que, na verdade, vem sendo ignorada por muito tempo. Alguma coisa, ou algumas, que temos deixado para “resolver depois” e que aparecem todas, de uma só vez, para serem resolvidas e mudadas.

Levantei nessa sexta-feira chuvosa em São Paulo, uma mistura de calor e umidade, sentindo que tinha acabado de sair de um dos temporais de verão. Quando todo o Universo conspira para te mostrar coisas que, se eu perguntar para qualquer pessoa, vão falar que seriam óbvias. Uma mudança no trabalho, problemas que foram gerados pela minha “cegueira” temporária. Problemas nos relacionamentos e até uma insistente e quase chata mania de uma gata filhote em morder os meus pés e as minhas mãos. A discussão com uma moça na fila do restaurante e uma vizinha que insiste em discutir a relação às 3h da manhã. Sério, eu sei mais da vida dela do que da minha própria.

Mas e o que fazer nesses momentos além de tomar sorvete direto do pote e pensar em mudar o corte de cabelo de novo? Fique só com a parte do sorvete e comece a, realmente, escutar o que estão tentando te dizer. Não importa se você acredita que é Deus falando, os anjos, uma pomba gira ou só sua voz interior, mas essa “coisa” dentro de você sempre tem, invariavelmente, todas as respostas.

Eu, como já disse, uso o Oráculo da Deusa, cartas que mostram quais deusas estão regendo o nosso momento. Nunca o vi falhar. Sempre que sai uma carta, sai junto uma lição que precisa ser entendida naquele momento. Também presto muita atenção aos meus sonhos e às “coincidências” da vida, como a briga da vizinha com o marido e a mulher que beirava o insuportável na fila do restaurante (obviamente uma linda e materializada sombra). Até as arranhadas da gata eu observo, vai que, né?

É nesse momento que o Universo fala com a gente. Quando estamos extremamente sensibilizados pela vida. Aliás, é assim mesmo. A vida nos super sensibiliza por algum motivo. Nos tira o sono, faz os nossos hormônios virem à tona. Alguma mudança precisa ser feita!

Essa mudança pode ser pequena, como uma mudança de postura no trabalho, ou grande. Quanto maior a crise, maior é a mudança necessária. E quanto maior a resistência, maior também a crise. Só sei que a coisa se acumula em um grau que só nos resta uma solução: entregar para (preencha aqui o que você acredita).

Soltar aquilo para que o Universo resolva. Claro que existe a sua parte. Pedir desculpas, conversar ou realmente colocar em ordem o que precisa ser mudado. Mas depois não é mais com você. Lembre-se de que, se chegou a esse ponto, é porque foi necessário. Se palavras duras saíram, é porque elas eram realmente necessárias. Mesmo que pareça um problema gigante e sem solução, quando entregamos, a solução aparece.

Mas “solução” nem sempre é o que queremos. Nem sempre é fazer as pazes, nem sempre é ganhar dinheiro. Nem sempre é uma cura necessária. A vida vai continuar a nos morder e nos arranhar até que entendamos o que ela quer de nós. Disso não podemos sair.

Pense que é um momento. Você está dentro de um avião com algum destino, mas enquanto estiver lá dentro, não tem como fazer nada. Então relaxe, tente aproveitar a viagem, pensar na vida e colocar a mão na massa quando chegar ao seu destino. 

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.