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por Andrea Pavlovitsch

A arrogância esconde a insegurança

Eu tinha um amigo que era um verdadeiro garoto-enxaqueca. Sabe aquelas pessoas que carregam sua própria nuvem negra pairando sobre a cabeça por onde quer que vão? Era ele. E o pior não era isso: era a arrogância (pois é, nossa amizade não durou muito tempo) de achar que sabia de tudo.

Eu sou uma pessoa muito, muito curiosa, que adora aprender. Eu costumava perguntar coisas sobre a religião dele, por curiosidade mesmo, e ele começou a achar que tinha algo que eu não tinha. As respostas, quando eu perguntava, começaram a ficar estranhas. Primeiro ele ria dos meus questionamentos, como se eu tivesse alguma obrigação de saber. Chegou a um ponto de “não vou te responder isso, não tenho mais paciência”. E, claro, eu me afastei completamente.

Não tenho cinco anos, e é claro que eu não o lotava de perguntas nesse sentido. Mas só depois percebi o que aconteceu. Ele me admirava muito, e saber que ele tinha algo que eu não tinha fez com que ele se sentisse “seguro demais” com relação a mim. Era como se ele tivesse um segredo, e, se me passasse, perderíamos a nossa posição de iguais. É óbvio que tudo isso só se passava na cabeça dele, mas a arrogância de “saber tudo” estragou a nossa amizade. E, soube depois, outras amizades também.

Homem sentado em cadeira de escritório olhando pela janela

Então por que ele foi tão arrogante? Porque se sentia inseguro. Uma pessoa que sabe – e sabe que sabe – não tem o menor problema em guardar todas as informações para si, em nenhuma área. A generosidade é uma coisa de pessoas felizes, bem resolvidas e seguras. Então, por que quem é mais inseguro acaba ficando arrogante?

São mecanismos de defesa do nosso ego. Precisamos mostrar uma coisa que não somos porque não queremos que o outro veja a realidade – a nossa inferioridade imaginada. Quanto mais a pessoa se sente inferior, mais ela precisa disso. Veja bem, não confunda saber as coisas e passar para os outros com arrogância, é bem o contrário.

O arrogante real não passa nada para ninguém, muito menos de graça. Para ele, aquilo o mantém numa posição privilegiada, e ele não quer perder seus privilégios. Pode usar isso como um subterfúgio, como uma maneira de tirar o foco do problema.

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E o que aconteceria se eu passasse por cima disso e, mesmo assim, continuasse a amizade? Possivelmente os níveis de arrogância subiriam cada vez mais quando ele visse que estava “funcionando”. Mais ele seria arrogante, passando para a grosseria e – porque não dizer? – a violência verbal ou até mesmo física. Não saberei nunca aonde isso chegaria, porque não quis pagar para ver. Nem precisamos.

Como lidar com isso? Abandone o arrogante falando sozinho, mesmo que você precise ouvir um discurso porque ele é alguém de autoridade para você. Não permita que as críticas entrem em você e, na medida do possível, vá se afastando. Se a pessoa perceber que esse comportamento só o está deixando mais infeliz, ele tem uma chance de mudança. Mas se alimentarmos isso, por medo ou dependência, criaremos um verdadeiro monstro.

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Andrea Pavlovitsch

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Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e terem uma vida de deusa. Mãe da Nina de quatro patas, gosto de viajar, ler e sempre continuar estudando.

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