por Andrea Pavlovitsch

Intolerância e preconceito

Ontem eu assisti um programa de TV bem bonitinho, que passa em um canal a cabo. Nele, um casal ganha uma festa de casamento, usando tudo do bom e do melhor e bem ao estilo dos noivos. É divertido ver todo o processo, já que a festa acontece em sete dias.

Pois bem, entre tudo o que os noivos ganham, a noiva ganha um belo vestido. E para isso existe um estilista que vai desenhar um modelo exclusivo para ela. A moça, jovem, acabou de ter um bebê, então seu corpo está, como disse o estilista num “42/44”. O problema foi esse estilista.

Ele falou esse número com desdém. Ele se sentiu “desafiado” (SIC) por ter que vestir uma noiva que “não é igual as outras” (SIC), puxando a sardinha para os seus exímios dotes de estilista que foi “obrigado” pelo programa a desenhar para uma gordinha. No começo, ela pediu um vestido estilo sereia e ele disse, categoricamente, que jamais ele desenharia aquele vestido para “aquele tipo de corpo”. Um corpo gordo!

Pois bem, hoje recebo uma mensagem de um amigo homossexual, que ouviu um discurso no mínimo “interessante” (e sim, estou sendo bem irônica). Um grupo ao lado de onde ele estava, falando que “não tenho nada contra, mas tem um casal de ‘viado’ no meu prédio que me dá ódio”. Os absurdos continuaram ladeira abaixo, chegando ao ponto de também envolver “viado neguinho” e destilando um tanto de preconceito racial também.

Que preguiça! Que em pleno século XXI, depois da Era de Aquário, onde ainda lutamos tanto por direitos da mulher, dos homossexuais, dos gordos e de toda forma de desconstrução, ainda exista tanta gente assim.

Pré-conceitos são isso mesmo, crenças que foram geradas na nossa mente e que nos dizem o que é certo ou errado. O problema é que geralmente essas coisas não são pautadas na realidade. São pautadas em clichês, ouvidos à exaustão, do que é o padrão e do que não é.

É normal ser homossexual. Sabe por quê? Porque a mamãe natureza já separa 10% da população para ter uma orientação sexual para o mesmo sexo. Não é um “problema” da pessoa, é só uma coisa que ela também é, além de todo o resto. É normal ser gordo, sabe por quê? Porque geneticamente algumas pessoas tendem a acumular mais gordura. Existem outros fatores também, como questões emocionais, problemas financeiros (comer bem é mais caro do que comer mal), de tempo e de toda sorte de questões. Então, não é porque a pessoa é “preguiçosa” ou “desleixada”, é porque também existe uma questão da tal mamãe natureza.

Agora, se você acha que é mais inteligente que a Mãe Natureza, sugiro que assista alguns documentários sobre tsunamis, furações, vulcões e terremotos. Sugiro que você vire para ela e diga “oh, minha filha, essa merda está errada” e espere sentado a sua vez de sucumbir, porque eu acho que ela não vai aguentar a sua arrogância, na boa. E não me venha com esse papo de “eu só estou preocupado porque gay sofre” ou “a obesidade é uma questão de saúde”, porque isso é uma baita mentira para justificar a sua prepotência.

Então, sim, isso me irrita bastante! Não só pelo que eu passo sendo gorda, mas também pelo que os meus amigos gays, negros, orientais, mulheres e idosos passam. Por essa mania que ainda existe do “macho adulto branco sempre no comando” como diria Caetano Veloso. Se não sabemos o que falar, calemos a nossa boca. É sempre melhor não provocar o que é mais forte do que nós. Fica a dica! 

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.