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por Andrea Pavlovitsch

A energia de tudo

Há alguns anos, depois de muitos processos terapêuticos interessantes pelos quais passei, eu tive um sonho. Eu estou em um ônibus de turistas e sei que estou na Europa. Tem pessoas comigo e um guia. O guia fala que vamos parar naquele lugar, à beira de um rio, por alguns instantes, mas que depois precisaríamos voltar para o Brasil.

Descemos do ônibus e entramos num lindo jardim na beira do tal rio. O guia nos diz que aquele é o Rio Danúbio. E começa a tocar uma linda música de fundo (uma música clássica famosa). Ele diz que, se quisermos, podemos entrar no rio. Naquele momento o rio fica todo violeta, de um violeta maravilhoso. Entro no rio e me deparo com uma pessoa lá dentro, um avatar. Sei que é Saint Germain, um dos mestres ascencionados. A energia que eu sinto naquele lugar, com aquela pessoa na minha frente, é algo magnífico.

Eu me sentia inteira, completa. Eu não precisava de mais nada. Eu não precisava de amor, sexo, dinheiro, apartamento, corpo, amigos, música, dança. Eu não precisava de mais nada. Não me lembro agora se falei com ele, só me lembro de ficar extasiada. A única coisa que ouvi, não sei se dele ou de outra pessoa, é que ele morava lá, era o lugar dele.

Eu não queria voltar. O guia insistiu muito até que eu topasse voltar para o Brasil. Eu disse que queria ficar ali, me sentindo tão bem, e ele disse que não era o momento. Precisei mesmo voltar.

Quando acordei, estava ainda em êxtase. Sabe quando você quer voltar a dormir para sentir de novo? Mas não dava, tinha se perdido. Fiquei bem aquele dia e outros dias depois daquilo. Sentia que existia algo muito bom em algum lugar e que um dia eu sentiria tudo aquilo de novo.

O sonho tem muitas interpretações. A água, o útero, a proteção materna. A vontade de voltar para aquele lugar onde não precisávamos de nada. Mas me atentei aos aspectos espirituais do sonho.

A música que tocava, eu descobri depois, era a valsa “Danúbio Azul” de Strauss (ele compôs essa música em homenagem ao rio). O Rio Danúbio é onde fica um dos templos do mestre (há controvérsias nessa informação, mas no meu sonho parecia bem real).

Eu sinto que fui abençoada nesse sonho. Que foi algo que veio me dizer, veio me mostrar essa energia maravilhosa que é o objetivo de todos na Terra. É o que a nossa alma persegue incessantemente. Corremos atrás de tudo para sentir um pouco mais disso. Queremos um amor que nos dê isso, uma casa melhor que nos dará isso, dinheiro. Só achamos porque isso não está lá fora, no mundo que construímos com o nosso ego. Isso é algo espiritual.

E, independentemente de qualquer crença, se eu acessei num sonho algo que está no meu inconsciente, ele é possível. É possível estar num estado de graça tão grande, que todos as outras coisas perdem o imenso poder que tem sobre nós. Um estado interno de meditação, de compreensão interna que nos transforma completamente. Isso, para mim, é dominar o ego e a matéria. É a iluminação que os mestres hindus falam. É possível atingir esse estado quando desistimos.

Desistimos, não da vida, mas do ego. Podemos ter objetivos, mas eles não mandarem mais em nós. Eles estarem lá, independentes. Podemos continuar vivendo a vida, mas sempre sabendo que temos esse pequeno lugar para onde voltar e que ele está lá dentro, e não em nada lá fora. Achar esse espaço dentro de você é necessário. Porque é ele quem nos acalma na tempestade. É Deus dentro de nós.

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Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.