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por Erickson Rosa

A felicidade está em lavar a nossa própria louça

Lavar a louça. Algo que muitas pessoas querem passar longe. Eu mesmo, durante muito tempo, não queria saber de chegar perto de uma louça. Fazia isso somente por obrigação. Entretanto, depois de descobrir o segredo da felicidade por trás das louças limpas, eu encontrei o prazer de limpar. Neste texto, quero falar com você sobre isso.

Quando olhamos para a louça suja e vemos um problema, podemos perceber como nosso olhar constrói as coisas. É como se conseguíssemos apenas enxergar copos, panelas e colheres sujos necessitando de limpeza, mesmo depois de uma prazerosa alimentação.

No entanto, essa pode ser uma poderosa prática se mudarmos nosso olhar. Considere que, sem a louça, não teremos como ter outra prazerosa alimentação. Sem a limpeza, não organizamos o lixo e a sujeira que geramos. Todo o nosso prazer e todo o nosso movimento no mundo gera detritos, sujeira e restos. Os monges japoneses da linha budista zen têm uma prática de sempre, durante a limpeza, diminuir a quantidade de restos gerados, com o intuito de causar o mínimo de impacto ao ambiente. Essa prática faz com que você tome consciência de seu impacto no mundo.

Pessoa lavando copo na pia

Ao olharmos para a nossa louça como prática, passamos a ver nossa sujeira gerada e o que não utilizamos. E podemos parar para refletir para onde vai esse nosso lixo. Assim ampliamos nossa visão para além de nossa própria sujeira produzida. Restos orgânicos, por exemplo, sendo aproveitados por outros seres ou por você mesmo em sua composteira.

Além disso, criamos o hábito de manter nossa mente na tarefa que estamos realizando. Se vamos limpar a louça, que nossa mente esteja lavando a louça, e não pensando em outras tarefas. Assim praticamos a atenção plena. Com isso, outra prática surge em nossa limpeza: a modulação de nossa energia. Pode ser que você pense que não gosta muito dessa tarefa e sente que sua energia não surge para realizar a limpeza. Porém, ao praticarmos com atenção plena, podemos fazer surgir a energia, gerando assim nossa própria força de vontade quando precisarmos realizar tarefas que acreditarmos ser entediantes.

A louça suja pode ser aquilo que surge depois do nosso prazer. As situações chatas da vida que nos acometem, as coisas difíceis que não queremos. Se não conseguimos nem lidar com uma pia suja, como lidaremos com tais situações? Que a louça seja nossa prática. Aos poucos, você começa com uma tarefa simples, lavando a louça, treinando sua energia, não deixando que a tarefa deixe você sem vontade ou com preguiça. Se conseguir gerar energia para limpar seu próprio prato, terá energia para também arrumar o que for em sua vida.

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O problema é que estamos sempre querendo as coisas boas da vida, fugindo dos desprazeres. Quando eles nos acometem, pois a vida é flutuante, sentimos que devemos fugir de tais situações e evitá-las ou então as realizamos reclamando. Isso preda nossa energia e nos tira o foco necessário para cumprir a tarefa. Se precisamos cruzar um deserto, melhor que seja com a mente focada, sem um grande estresse emocional e sem reclamar da sorte. Com certeza, isso nos ajudará a cruzar tal desafio.

Limpe sua louça, lave sua vida e sua mente. Não deixe que a sujeira se acumule em sua vida por causa da falta de energia. Vamos lavar a louça?

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Erickson Rosa

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Psicólogo clínico laureado pela PUCRS. Atende crianças, jovens e adultos. Palestrante sobre a temática do inconsciente.