por Marcos de Paula

A importância da faxina interior

É compreensivo que muitas pessoas cheguem às sessões iniciais das terapias trazendo consigo expectativas diretamente proporcionais às suas angústias, dúvidas, questionamentos e até mesmo sensações de desconforto nem sempre capazes de serem verbalizados e comentados com naturalidade, pois falar de certas coisas exige mesmo um grande esforço. Como o desprender-se de certos limites e parâmetros que nos são impostos e cobrados de diferentes formas e maneiras.

Um esforço pessoal que se justifica pela busca de um bem estar de dentro pra fora, como um limpar-se de impurezas que vamos acumulando ao longo da vida, sejam elas geradas ou acrescentadas em doses muitas vezes imperceptíveis, via conflitos, dissabores, frustrações, decepções e outros padecimentos que várias vezes estão na essência de crises como nas conjugais, onde o jogo de culpas ou indiferenças é muito utilizado, mas pouco reflexivo. 

Ou seja, não favorecem o aprofundamento das discussões de forma objetiva e consistente, o que não ajuda a se chegar ao núcleo de algumas questões que, mesmo nevrálgicas, só podem ser tratadas muitas vezes, como numa intervenção cirúrgica, que significa um processo psicanalítico sério e desafiador, pois só assim há chance de uma recuperação segura e confiável, pois não houve aqui um tratamento paliativo, superficial e descompromissado que poderia maquiar uma falsa zona de conforto.

Entenda-se como recuperação o fato de cada pessoa deste cenário sentir-se, antes de tudo, verdadeiramente bem consigo mesmo, dentro de seu universo e de suas exclusivas experiências vivenciadas de acordo com seus sonhos, horizontes, reconhecimentos e valorizações através das relações pessoais, familiares e sociais numa dimensão e intensidade que se ampliarão caso sejam respeitados também as individualidades e limites de cada ser humano.

 

Marcos de Paula

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Marcos D. de Paula é psicanalista, atendendo adolescentes e adultos na zona sul de São Paulo. Participa também do grupo Big Riso, voluntários que se vestem de palhaços e visitam hospitais do Grande ABC e de São Paulo, levando alegria e descontração, dentro de uma perspectiva de humanização hospitalar.